Amizade, hoje eu sepulto mais uma
Hoje, eu sepulto mais uma amizade. De uma pessoa que para mim me era muito, muito cara. Que eu faria o que fosse preciso se é que eu poderia fazer algo por esta pessoa no sentido de que ela não precisaria que eu fizesse nada por ela e eu tenho a mania imbecil de achar que sim, eu posso fazer algo por alguém. Ao velório apenas eu compareço e pranteio com dor sentida e real a morte desta amizade. Pranteio e olho para um horizonte onde me vejo cada vez mais carregando o fardo de uma vida onde ser compreendido e aceito não me foi permitido.
Hoje eu enterro uma amizade que para mim foi linda e sim me deixará boas recordações. Me deixará não com um travo amargo na boca mas um fiozinho doce escorrendo pelo canto dos lábios porque quando vi que ela, a amizade, tinha morrido, tratei de guardar as melhores recordações e colocar na prateleira mais limpa da bagunça que é meu coração Uma prateleira que só eu acesso e que lhe será exclusiva, um memorial de bons momentos passados de conversas, de risos, enfim de tudo que se compõe uma amizade.
Ousei chamar em toda minha vida, dois homens e três de mulheres de amigos. Os dois homens hoje não falam comigo. Não, não me sinto culpado. Mas me sinto triste, machucado por ter depositado tamanho amor em cada um deles e ter recebido de volta incompreensão, desamor e outros sentimentos menos nobres. Sei que é mais fácil ser amigo de pessoas que são populares e queridas o que não é o meu caso, mas o que acontece e que eu sou uma pessoa que não vou deixar de ser como eu sou apenas para ganhar pontos com a humanidade. E isso é claro traz consequências. Evidente que ainda gosto de ambos pois eles deixaram de ser meus amigos, não o contrário, mas a vida é menos brilhante sem essas pessoas ao meu lado.
Quanto as mulheres, uma se revelou nunca ser minha amiga, uma é minha amiga mais que querida e agora única pessoa no Universo que posso chamar de amiga e uma hoje estuo sepultando com dor no coração nossa amizade.
Eu sei que erro e meus erros muitas vezes decepcionam as pessoas mas eu sei também que tenho, como amigo, um coração puro. Sei que ser amigo é o que eu tenho de melhor a oferecer a uma pessoa, talvez a única coisa boa verdadeiramente que eu tenha dentro de mim e que ninguém quer. Irônico, ma mais do que irônico, triste. Eu não me apego as pessoas em geral. Não sou de forma alguma o tipo de pessoa que vai a velórios, que fica elogiando outras pessoas, que é popular bem quisto e tals. Não. Eu suo o tipo de pessoa que gostei e gosto de pouquíssimas pessoas ao longo da vida e por estas pessoas eu poderia dar a minha própria vida sem pensar muito.
Sei que suo um paradoxo e este paradoxo me faz ser uma pessoa sensível embora eu seja um ser habitualmente brutal. é estranho, mas é assim que sou e gosto de mim como sou. Eu me entristeço com o ocaso desta amizade especifica porque tentei ser uma boa pessoa. Muitas vezes no caminho destas tentativas eu caguei, errei, fiz besteiras fenomenais, mas o que são os amigos senão pessoas que estão ao nosso lado?
Sei que tenho uma besta dentro de mim. Sei que tenho uma monstruosidade que assusta as pessoas e sei que assusta porque ela me assusta muitas vezes, logo a mim que não me assusto com nada mais. Mas ainda sim, como qualquer pessoa quero ser amado, querido, não por todos, que isso é coisa de político, mas por poucas e selecionadas pessoas. As pessoas que eu escolhi amar. É engraçado este negócio de escolher alguém para dedicar o seu amor. Seja o amor de homem pra mulher seja o de um amigo para outro, porque quem disse que a pessoa escolhida vai corresponder?
A pessoa que hoje sepulto a amizade que tivemos teve o meu mais profundo e afeiçoado amor. Me orgulho disto. Dei o melhor que eu tinha e me sinto feliz. Me sinto triste também, como convém a um sepultamento, mas feliz, por ter sido mesmo que só eu sabendo o melhor que eu poderia ser. Tenho uma besta em mim como já disse e não sei e talvez a grande questão é que não quero aprender, dominar.
A vida vai seguir. Mais triste, um tanto mais vazia, pois espaços que amigos ocuparam uma vez não ficam mais disponíveis. Eu sempre prossigo. Se eu fosse um Transformer e para eu ser um eles teriam que existir, eu seria um trator, porque eu sempre sigo, seja qual for o obstáculo.
Mas a grande verdade é a seguinte: Nem meu pai gostou de mim, nem ele me deu a cortesia de um olá. Por que alguém mais teria que gostar?
É isso.
Ouvindo: A única coisa possível de se ouvir em momentos de extrema melancolia como este: J. Cash
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