Rafael Ilha, retrato de um mundo cada vez mais banal


Rafael Ilha, o "Eterno Polegar" segundo parte da imprensa Brasileira foi, no espaço de 24 horas, preso, depois solto por algum motivo que não ficou claro e não ficará e serviu apenas para capitalizar por alguns dias a sua combalida imagem.

Rafael, uma parte da imprensa também insiste em dizer, era vocalista da banda Polegar. Ele até estava a frente da banda segurando um microfone, mas quanto a ser vocalista... Bom, vocalista é quem canta e Rafael nunca fez isso da forma correta então era apenas um pateta dançando com outros quatro patetas. E dançando é aqui uma expressão amigável e elegante porém mentirosa para dizer o que de fato faziam eles e seus amigos no palco.

Acontece que o tempo do Polegar passou, Rafael não se ajustou e se tornou um pária. Alguém que chegou ao ponto de tentar assaltar duas pessoas de na rua de forma absolutamente canhestra apenas para conseguir miseros trocados para sustentar seu vício em drogas. Não conseguiu e foi preso. E desde então de volta aos holofotes que insistem em iluminar apenas flagrantes sombrios de sua pessoa, Rafael vem vivendo como dublê de reporter na também dublê de rede de televisão Rede TV.

Pessoas como Rafael, até porque ele não é o único a viver o martírio de ter sido famoso e perder tudo, fazem qualquer coisa e aqui qualquer coisa não é figura de linguagem para estarem novamente no centro das atenções. Creio firmemente que Rafael, uma pessoa "safa" na arte de ser preso e dos motivos que levam alguérm a prisão, foi  a delegacia sabendo exatamente o que iria acontecer e qual o desfecho. Rafael tem um advogado a orienta-lo e sabia que não ficaria mais que um dia no Xilindró mas sabia que esta história renderia (com esta rendendo) semanas de exposição gratuita de sua imagem em todos os veículos de imprensa ávidos por bobalhões como ele que se auto imolam na praça pública das sub celebs. Estes "profissionais de imprensa" que cobrem este tipo de situação constrangedora não tem escrupulos em carregar nas tintas para fazer render muito mais do que ela deveria na realidade. Lamentável.

Claro que o grande culpado é o público que compra revistas especializadas em fofocas, que assite programas especializados em fofoca e que é em sua essência ele mesmo especialista em fofocas. Um público que não se dá ao respeito e não busca algo que possa fazer nada além do que saciar a sanha implacável por saber da vida alheia. Triste.

O mundo caminha de forma inexorável e irreversível para um estado de banalidade que temo ser sem volta. Facebook e outras redes sociais dia a dia bombardeiam seus usuários com noticias, fotos, notinhas que falam e quase sempre mal da vida de quem quer que seja e a maioria dessas pessoas fazem de tudo para aparecer, pagam um preço que não percebem o quanto é alto para terem suas vísceras expostas a uma turba sequiosa deste tipo de exposição.

Enquanto tudo isso ocorreu, 28 pessoas foram assassinadas na região metropolitana de São Paulo.  Pessoas a quem não se dedicou uma linha, uma palavra se quer. Pessoas que pelo seu medíocre anonimato lhes foi reservado apenas isso em seu último acontecimento: Mais anonimato.

É isso.

Ouvindo: J. Cash

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