Do ser. Do sentir. Do fazer. Do Viver. Do que e quem sou.


Do ser.
Não é fácil ser. Não no sentido de existir. Muito menos no sentido de coexistir com outros que também são. Ser é um exercício  trabalhoso, extenuante, que requer uma dose de coragem diária que nem sempre tenho. As vezes é melhor apenas estar, estar no mundo sem ser nada de relevante, ou sem buscar esta relevância, porque isso demanda ações que não quero tomar, atitudes que nem sempre estou disposto a ter, posturas que nem sempre são as que eu escolho para mim. Ser é em grande medida perceber-se e este ato, o de perceber quem se é pode ser fatal em minha vida. Perceber quem eu sou é tão grandioso e ao mesmo tempo tão aterrorizante que estar em algum ponto da vida, apenas por estar, como um passageiro dentro de um vagão de metrô que o levará a algum destino já pré determinado é menos dolorido do que ser e traçar os próprios caminhos. Por que ser obrigatoriamente por sentir, e sentir, via de regra, dói.

Do sentir.
Sentir, no real sentido da palavra só consegue quem aceita ser. Não é possível sentir e principalmente sentir-se, sem ser. Quando se é, se sente, e quando se consegue  finalmente sentir a si mesmo é que começam todos os problemas. A vida no automático até que vai, anestesiado, posso ter um braço amputado que não sentirei dor e aprenderei a viver sem ele, o braço. A dor existe neste aspecto como um lembrete vívido de algo vai mal  e a dor só pode ser percebida se sentida. Não existe dor, seja de que tipo for, sem que a se sinta. Sentir o mundo a minha volta é em grande medida angustiante. Nas raras vezes que consigo não ser, posso não sentir, mas como sempre sou, eu sinto. E sentido, seja alegria, tristeza, desapontamento, mágoa, gratidão, minhas reações passam a ser pautadas pela forma com que lido com o que sinto. E quem sabe lidar com seus sentimentos sempre? Lidar de maneira madura, racional, inteligente, administrando toda a ira que um sentimento pode despertar. Fazendo com que se acomode dentro de si mesmo um turbilhão gerado por sentimentos que se descolam da vivência diária, da escolha em ser, em detrimento ao simples estar. Mas se ainda sim escolho ser e sentir, obrigatóriamente tenho que fazer.

Do fazer.
Fazer, seja o que quer que for, desde soltam um pum até escrever uma obra prima laureada requer ação. Ações podem ser encharcadas de sentimentos determinados pela escolha em ser ou podem ser firas e mecânicas se a escolha é apenas em estar. Se escolho estar ao invés de ser, minhas ações não são pautadas pelo sentir, sendo antes processos automáticos produzidos pela premência em ter as minhas necessidades básicas atendidas. Quando eu sou, muito mais do que agir por instinto, posso escolher as ações que tomarei e calca-las dentro de uma premissa que diz que mais do que a simples necessidade, a minha vontade se impõe em meus atos e minha motivação deixa de ser pura e simplesmente impensada para ser calculada fazendo com que meus atos ganhem a dimensão muito mais ampla que me permite responder quando questionado sobre o porque de qualquer ação que tenha tomado, poder responder "Foi porque eu assim o quis".

Do viver.
Quando minhas ações são motivadas pela minha vontade, eu posso submete-las a aprovação  de quem quer que seja, ou não. Posso me declarar livre e sou livre porque escolhi ser, sentir e fazer. E se estes passos foram tomados por mim mesmo, de forma absolutamente autonoma, sem pressão de terceiros, usando apenas o meu poder de raciocínio próprio, eu posso escolher entre o bem eo o mal, entre agradar ou desagradar, entre ser egoista ou generoso, tudo isso sem a força das travas que impedem a caminhada firme e autonoma de quem escolhe apenas estar. Quem penas esta neste mundo, em algum momento será dominado, guiado, será feito refém da vontade do outro, por não ser e não sentir. Quem escolhe não ser, deixa que outro seja por ele e este outro ira também determinar o que quem apenas está, sente. Viver assim, sem a plenitude que só o ser proporciona, ao menos para mim, nã oé viver. E o meu viver que define o que e quem eu sou.

Do que  e quem eu sou.
Quem eu sou depende basicamente do que eu sou, não o contrário. Se eu decido ser e neste processo de decisão eu me torno uma boa pessoa, que pretende ajudar ao semelhante, fazer o bem, amar sem reservas, não ter preconceitos e nem desejar o mal a quem quer que seja, é isso o  que eu sou. Não importa o que percebam de mim se eu realmente tenho convicção de quem sou eu, e embora nem sempre eu consiga agir da melhor maneira possível, é apenas a escolha em ser que me fará sentir que estou errado e devo corrigir a rota.. Saber quem eu sou é um passo deveras importante dentro do processo do crescimento humano, que nunca termina, antes sempre se renova e sempre faz emergir alguém diferente do que sou hoje de dentro de mim mesmo.
Tenho passado por mudanças, tenho me percebido diferente de quem eu era a tempos atrás. Pensamentos novos, idéias novas, um ciclo se encerrando para iniciar outro onde finalmente serei livre e provavelmente, mais feliz.

É isso.

Ouvindo: Os Arrais

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