Troque seu cachorro por uma criança pobre. (sobre uma menina de 11 anos covardemente apedrejada)
Ligue sua TV no Animal Planet, ou Natgeo, ou vários outros canais. O tempo todo você verá e de verdadeiras declarações de amor aos animais. E falo aqui sobre os ditos "domésticos" sobretudo cachorros e gatos. Não passa uma hora sem algum programa que trate de resgata-los de maus tratos, ou ensina-los a se comportar, ou apenas mostrar como eles são fofinhos.
No Brasil apresentadores de TV pagam mico chorando por causa de bichos, falam indignados, sob, re como podemos deixar chegar ao ponto que chegaram onde "pets" (ninguém mais quer ter um cão ou gato, quer ter um "pet" porque brasileiro é imbecil até a tampa mesmo), são abandonados a própria sorte (como se não fosse assim a milênios), e pedem ajuda das "autoridades" para que este quadro mude.
Por outro, a indústria dedicada aos bichos de estimação cresce assustadoramente a taxas de primeiro mundo no Brasil, impulsionada por este bem querer aos bichos que chega a ser comovente. E vamos ser sinceros, quem não gosta de bichinhos simpáticos? Eles pulam, destroem coisas, nos dão carinho e atenção, nos tiram da solidão, enfim, são verdadeiros amigos em um mundo onde ninguém mais quase tem amigos além daqueles que conseguem em redes sociais.
Bom, acontece que por estes dias atrás (nem tantos assim, na verdade bem poucos) uma menina de 11 anos foi apedrejada. é apedrejada. Como se joga pedras em um cão danado para ele sair de nosso caminho. Como se jogam pedras em regimes bárbaros em mulheres que supostamente trairam seus maridos, como se fosse uma vidraça de alguma casa abandonada a mercê de moleques travessos sem supervisão. Como se fosse uma coisa, uma réles coisa. Ela sofreu um corte, Esta com medo e assustada, isso a marcou, é claro. Ninguém que ama os animais loucamente se indignou ou a defendeu. Nem uma palavra dos defensores dos animais, ou dos cultores das liberdades individuais. Todo mundo em silêncio deixando a vida prosseguir. Ela é uma negra, da periferia do Rio de Janeiro e frequenta cultos de religiões Afro Brasileiras, só faltou alguém ter a coragem de dizer o que muitos de certo pensam: "Teve o que merecia, ninguém mandou sair fantasiada de macumbeira na rua".
Quantas vezes eu sai fantasiado de "crente" aos Sábados pela manhã??? Aos Domingos a tarde ou a noite? Todo dia fico fantasiado de corretor de imóveis. Coloco minha gravata, meu sapato, quando o que eu queria era estar de calça jeans, camiseta branca e tênis. Porque ninguém joga pedras em mim? De certo não é apenas pelo meu olhar que intimida qualquer um e sim porque não é DIFERENTE!
Pessoas covardes apedrejam crianças e tudo fica normal. Estamos invertendo a lógica da vida. Nãop digo é evidente, mas é preciso desenhar para alguns cabeças de Bagre que se dispõe a ler estas mal traçadas linhas, que devemos achar normal apedrejar um cão. Evidente que não. Mas se temos cuidado com um cão ou um gato o que dirá com uma menina de 11 anos indefesa atacada por ser negra e cultuar uma fé que causa estranhamento pelo total desconhecimento de quem com ela se estranha?
Deixemos de ser hipócritas e bobos e admitamos que sim, o fato de ela ser negra tem pelo menos 50% de força no caso de seu apedrejamento. Se fosse uma loirinha de olhos azuis talvez recebesse oferta de ajuda, pois ninguém entenderia o porque de ela estar ali "fantasiada de macumbeira em um ponto de ônibus. As pessoas achariam se tratar de sequestro, abuso, ou qualquer outra coisa, mas uma negra macumbeira é apenas isso, um er de segunda classe, que não tem acesso a TV a cabo, não sabe das peripércias do "Doutor Pet" e não merece nada mais do que pedras em sua direção.
E por que aceitamos calados? Porque religiões afro e seus símbolos ainda nos causam estranhamento e em última análise, medo. Não as conhecemos então ficamos desesperados ao ver a figura ainda que de uma menina inocente paramentada como se estivesse em seu culto. Queremos os "macumbeiros" restritos aos seus barracões e seus atabaques harmoniosos só podem reverberar escondidos de nossa vista. Enquanto igrejas sejam católicas ou evangélicas mantém suas portas abertas, queremos que os que tem crença diferentes se mantenham escondidos, discriminados, longe de nós fazendo nosso ambiente mais asséptico ao menos em nosso ponto de vista.
Evangélicos deveriam ser os primeiros a condenar em alta voz este ataque. Deveriam gritar ao mundo sua indignação com a intolerância religiosa e racial, mas mantém um silêncio que é no mínimo, conivente. Nem quero imaginar que os autores deste taque covarde e bárbaro foram evangélicos e se forem, obviamente são extremistas que não merecem atenção, antes necessitam de monitoramento de uma força policial oficial que evite novos ataques, mas os verdadeiros seguidores de Jesus se calaram. Cade o senhor Malafaia, o senhor Feliciano, e tantos outros líderes? Por que não exigir o boicote da denominação a qual pertencem esses bárbaros que vilipendiaram a honra de uma criança apenas por seu tom de pele e sua fé? O que estão esperando esses "pedidores de dinheiro" para virem a público com toda a sua força condenar tal barbárie? Claro que não... Negro e macumbeiro, quanto menos houverem em nossa sociedsade melhor, na visão deste senhores que se comportam como paladinos da moral mas são seres risíveis, verdadeiros sepulcros caiados que nada fazem além de tomar dinheiro de incautos.
A sociedade em geral ama animais, e isto não é errado, mas um povo que prove vida de rei a seus animais de estimação e tem cada vez menos senso de justiça para com o seu semelhante esta na direção errada no que diz respeito a evolução rumo a uma sociedade mais civilidade.
Minha indignação fica aqui registrada e meu pedido de desculpas a esta menina e sua família.
É isso.
Ouvindo: Whitney Houston
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