Uma venda que eu gostei de fazer
Sou Corretor de Imóveis. CRECI 135.060. Por definição é assim que eu ganho a vida. Deveria então gostar de todas as vendas que faço. Eu gosto de vender, eu amo vender, me sinto super, me sinto melhor vendendo do que fazendo qualquer outra coisa a não ser, sexo. Ai também já seria demais. Sexo é melhor que tudo. Mas vender, nossa!!! Que sensação!
O que acontece é que existem as vendas que a gente gosta de fazer e as vendas que apesar de gostosas a gente tem que fazer e infelizmente elas são a maioria. Eu gosto de gente do bem, e quando vendo para pessoas do bem, a venda flui, é bacana, o dia fica alegre, eu me sinto realizado por ajudar a pessoa a realizar o sonho do imóvel novo, seja este o primeiro ou o décimo quarto, tanto faz. Quanto a pessoa é como infelizmente a maioria das pessoas são hoje, anódinas, desimportantes, pessoas que querem apenas vantagens e mais vantagens, que não valorizam o trabalho do profise fim de sesional de vendas, a única coisa que importa é o dinheiro que se vai tomar delas. Quanto mais, maior.
No entanto, neste fim de semana, a venda foi suave, foi boa, foi para uma pessoa do bem, gente boa, educada, gentil, compreensiva, em busca sim do melhor negócio para si mas sem desvalorizar o meu trabalho, sem tentar vantagem a qualquer custo. Foi algo que a algum tempo não acontecia e que me mostrou, quando me dei conta, que infelizmente as pessoas estão cada vez menos interessantes e são cada vez menos do bem.
Veja, ser do bem aqui, não significa de forma alguma ceder a todas as condições de venda que eu coloco na mesa. Passa longe disso. Ser do bem significa saber que mesmo em uma negociação dura, a gentileza, a boa índole, a vontade de fazer ambas as partes ganharem é o que tem que prevalecer e hoje a deslealdade anda tão em moda que cada vez que isso acontece, eu me surpreendo.
A assinatura do contrato foi externa. Entenda-se por externa qualquer assinatura que não aconteça dentro de um plantão de vendas ou da sede da imobilíaria. Geralmente não gosto de estar em uma externa porque preso muito ter o controle da situação e em um território neutro ou mesmo nos domínios do cliente, você fica a mercê de algumas situações. Pois bem, nada disso aconteceu. O cliente nos recebeu em sua casa de uma forma tão agradável e amável e sua casa tem uma atmosfera tão positiva, que ficar a vontade foi automático. Erros naturais de contrato foram relevados, dúvidas sanadas com total coerência, não foram tratadas como armadilhas como geralmente são e a conversa fluiu naturalmente. A intereração com o cliente foi extremamente positiva e na verdade uma venda desta sempre é motivo de alegria, por rara que é.
Mesmo precisando de dinheiro, esta foi uma venda em que o que mais valeu para mim foi o fato de que a pessoa ficou satisfeita, de ter conseguido atender suas expectativas e principalmente o fato de nada ter dado errado e de alguma forma maculado a transação.
Momentos assim, quando acontecem, são dignos de nota e dignos de celebração. E fica o desejo de que mais momentos bons e leves venham e tirem o foco do vil metal, colocando o foco nas relações humanas.
É isso
Ouvindo: Skank
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