Oscar Wilde


Oscar Wilde, escritor, poeta, agitador cultural e desde sempre dono de  uma personalidade fascinante para mim, é sobre quem hoje eu quero falar.

O autor de "O Retrato de Dorian Gray", que foi alias seu único romance, foi também um poeta nada menos que genial, um contista inspirado e o fundador de um movimento chamado de "Esteticismo" ou "Dandismo" que pregava que a beleza deveria ser o antídoto que combateria os horrores da sociedade de sua época e ele mesmo se autoproclamou o primeiro Dandi a caminhar nesta Terra.

Sempre que vejo alguém que tenha a elegância como característica intrínseca, que independa da roupa que esteja envergando ou outro acessório qualquer a chamo de Dandi. Sempre sou olhado feio, ou porque a maioria das pessoas não tem ideia do que o termo signifique ou porque atrelam a Dandismo a homossexualidade de Oscar. Sim, apesar de ter tido um casamento e dois filhos, Wilde era homossexual, tendo sido inclusive preso por praticar atos considerados obscenos com outros homens em lugares considerados públicos como banheiros e parques.

O  movimento criado por Wilde, era sua bandeira romântica por assim dizer, uma vez que a beleza não obedece parâmetros pré estabelecidos  e nem pode ser  entendida da mesma maneira por todas as pessoas. Mas o romantismo contido no movimento de Wilde buscava sim de alguma forma padronizar o belo através de vestimentas impecáveis e gestos e atitudes elegantes, seja no interagir com as pessoas, seja com o ambiente que as cerca.

A elegância sim pode ser balizada por gestos, e forma de vestir-se e sem dúvida alguma era a força motriz por trás do movimento de Wilde e ele também pode e deve ser considerado um Dandi na forma de escrever. Além do romance, Wilde foi um autor de peças teatrais e  "A Importância de Ser Constante" que virou filme e teve inúmeras montagens teatrais mundo a fora é sem dúvida o exemplo clássico do que digo, uma vez que a elegância permeia um texto que de forma alguma é simples ou raso, longe disso.

A homossexualidade de Wilde trouxe grandes problemas para si, uma vez que a sociedade em que ele vivia era claramente homofóbica e hipócrita, sendo esta homofobia um dos pilares da hipocrisia citada. Wilde foi preso, teve que se submeter a trabalhos forçados na prisão, onde toda a beleza e vaidade se foram de forma inclemente.

Em o Retrato de  Dorian Gray, Wilde fala sobre a vaidade, beleza como forma de manipulação e outros sentimentos menos nobres, de forma pungente sendo considerado por muitos estudiosos como a obra máxima da língua Inglesa (claro que estes estudiosos nunca se deram ao trabalho de ler o W. Shakespeare), mas é inegável a qualidade literária de Wilde bem como o alcance universal de sua obra e sobretudo é impossível negar o caráter atemporal de seus escritos. Wilde jamais será considerado um escritor datado e fora de moda, pois tanto os seus escritos quanto a forma de escreve-los os credenciam a ter um lugar no panteão dos grandes e geniais escritores que a humanidade produziu em todos os tempos.

Tudo isso porque estou iniciando a releitura de  O Retrato de Dorian Gray e deixo com vocês, uma única frase  contida no livro que para mim é exemplar da forma com que Wilde escrevia e da acidez saborosa de sua escrita:

Há sempre algo de ridículo nas emoções de quem deixamos de amar."

É isso.

Ouvindo: Cindy Morgan

Comentários

Postagens mais visitadas