Não tenho medo do ridículo.
Acho que estou em boa cia. Galileu Galilei, quando formulou os princípios da inércia, foi taxado de ridículo, de maluco. Einstein, passou a adolescência sendo ridicularizado por seus pares e, bom, todos sabem quem foi Einstein. Tim Maia, quando se tornou devoto do Culto Racional, fez dois álbuns soberbos, talvez os melhores de sua carreira e ainda sim, foi taxado de adivinhem o que? A sua gravadora ignorou solenemente o trabalho que hoje é reconhecido como genial.
Não sou obviamente Tim Maia, Galileu e muito menos Einstein, quem me dera ter 1% da inteligência de algum deles, mas não tenho medo do ridículo. Sou quem eu sou, com minhas referências, minhas dores e minhas delícias e assim eu sigo a minha vida. Sei que sou considerado ridículo pela grande maioria das pessoas que me cercam, mas e dai? As pessoas me acharem estranho faz de mim um estranho?
Desde de minha infância até hoje, sempre fui apaixonado pelas tirinhas de jornal e pelo desenho do "Peanuts", em Terras Brasilis, "Turma do Snoopy, de Charles Schulz. Peanuts, ou Charlie Brown que para mim junto com Calvin é o melhor personagem já criado para quadrinhos capturou minha atenção logo na primeira tirinha que li e quando seu desenho animado chegou ao Brasil, não perdia um episódio. Minha identificação com Charlie foi imediata e para quem me conhece minimamente não é surpresa alguma.
O menino de olhos tristes, careca, meio redondinho, com uma melancolia de dar dó no olhar e com uma paixão impossível sempre falou fundo em mim e embora eu tenha crescido e me tornado um adulto respeitável na medida do possível, Charlie sempre capturou minha atenção e minhas emoções.
Sempre fui um solitário por definição, meus melhores amigos sempre foram os livros e os discos ou cds, pessoas nunca foram o meu forte pois não sei lidar com elas. Pode parecer loucura, pois sou um corretor de imóveis e meu ofício é exatamente o de lidar com as pessoas, mas consigo fazer isto em um nível profissional sem maiores problemas, porém no pessoal, sou um fracasso e assumo isso pois é a total expressão da verdade.
Pessoas solitárias tendem a ter menos medo do ridículo afinal de contas, e falo deste tema por conta de uma série de fotos que tenho postado em MEU INSTAGRAM E MEU FACEBOOK. Sim, escrevi em maiúsculas para que não haja dúvida que posto estas fotos em meu território. Ninguém é obrigado a ver, muito menos gostar e sim, podem me achar ridículo por posta-las, eu não ligo, não tenho medo de ser assim chamado. Na verdade, não me importo nem um pouco.
Não posso sair explicando o que não carece explicação mas posso dizer que despretensão é o Norte destas fotos. São nada mais que um desejo de traduzir em fotografias propositadamente toscas pensamentos desconexos que tenho e preciso colocar para fora. Meu espírito não se dobra. Ser taxado de ridículo por tirar fotos e posta-las em espaços que são meus e não precisam ser visitados por quem, não gosta de tais fotos chega a ser para mim, algo sem noção, sem sentido mesmo, pois se o que é diferente pode até causar estranhamento em alguma medida, jamais deveria causar o impulso de ridicularizar o outro a quem se acha diferente.
Ser diferente, comportar-se de forma pouco usual, dizer coisas pouco comuns, ter pensamentos incomuns, ser enfim, alguém fora do convencional, não é de forma alguma motivo para não gostar de alguém ou não desejar a sua cia ou mesmo expor esta pessoa com piadas ou falas jocosas. Pessoas solitárias ou não tem sentimentos e em que pese o fato de nossa sociedade vedar a sensibilidade ou a admissão de te-la pelo sexo masculino, sim, pessoas "diferentes" ou ridículas, tendem a ser mais sensíveis e lidar mal com a chacota, o escárnio. Algumas se refugiam em posts em seus respectivos blogs, recheando-os de palavras que seus detratores certamente não entenderão dado seu raso conhecimento da própria língua que falam, mas outras podem achar mais prático cortar os pulsos.
De qualquer forma, a melancolia que o chiste desnecessário causa muitas vezes fica internalizada e precisa para alguns ser exteriorizada, seja em forma de violência pura e simples, seja em forma de posts aparentemente sem sentido que tem como protagonistas bonequinhos de brinquedo com a cabeça desproporcional ao restante do corpo.
Não tenho medo de parecer ou ser considerado ridículo pode ser por mais maluco que isso possa parecer, serve como combustível para minha vida, me fazendo ver o mundo sob uma perspectiva muito particular. Toda a angústia, o medo, a tristeza, tudo isso se dissipa quando eu sinto quer consegui me comunicar comigo mesmo, colocar para fora através da foto de um boneco de brinquedo, todo e qualquer sentimento que me impede o sono, que me aterroriza a noite e me faz ter dificuldades para encarar de frente este espetáculo que é viver. Se parece ridículo, tanto melhor, uma vez que ser ridículo é estar vivo e livre de amarras de qualquer tipo e sentir-se livre, é algo que não tem preço. Quem me ensinou isso? Charlie, Peanuts e seu pai, Charles Schulz.
É isso.
Ouvindo Cindy Morgan
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