Penso, Logo Existo (Um Manifesto)
Existir pode ser excruciante mas também é desafiador. Mas existir não é ao menos para mim, o simples exercício de acordar todos os dias, vestir-se, ir trabalhar ou estudar ou qualquer outra função que possa passa a sensação de ser uma ocupação útil para a sociedade e para mim mesmo. Existir tem que ser mais que isso. é necessário transbordar, é necessário muito mais que dançar conforme a música. Na verdade o meu ideal de vida e poder escrever a música que eu vou dançar.
A Rosa, (sim, é da flor que eu falo) existe para ser cheirosa. Mas seria ela cheirosa ou apenas cheirosa se pudesse pensar? Se a Rosa tivesse "dias ruins" ainda sim ela seria cheirosa ou se fecharia e não iria querer ser admirada por ninguém? Mas a Rosa, coitada, não pensa. A rosa é só uma flor e com dias contados que nem são muitos. Ok, a Rosa talvez não seja um bom exemplo, vamos falar, do Leão. Sim o animal, o suposto rei da Selva, embora ele habite as savanas.
Não se rebelaria ele, o Leão com a ignorância de muitos, (da maioria), ao chama-lo de "Rei da Floresta"? Não pediria por uma retificação? Se ele, o Leão pudesse ir contra seus extintos, acasalaria com qualquer Leoa que passasse em sua frente ou apaixonadamente escolheria uma Leoa para chamar de "sua" e com ela constituiria uma bela família de majestosos felinos? Ficando na luta contra quem se é, após acasalar e ver os filhotes nascerem, teria a Leoa que defende-los de pasmem, o Leão que os gerou? Sim, alguns Leões tem o péssimo hábito de devorar seus filhotes recém nascidos.
No meio termo disso tudo, entre a rosa inanimada e cheirosa e o Leão Rei, esta o cachorro doméstico, que ama, via de regra, de forma incondicional o seu dono. Amaria ele o seu dono de forma incondicional se soubesse que por exemplo ele é um bebum incorrigível? Se soubesse que ele, indo ao extremo, bate na mãe e nem sente vergonha? Não sentiria vergonha o cachorro nesse caso? Vergonha alheia? Subsistiria esse amor por muito tempo? Ou em um vacilo do dono o cachorro lhe cravaria os dentes?
A Rosa, o Leão e o cachorro estão presos a uma premissa: Eles não pensam, não elaboram. A rosa nem extinto tem, os outros dois se agarram a ele com unhas e dentes e se por vezes parecem ter sentimentos, esses supostos momentos são sucumbidos pela "programação" genética que os acompanham desde sempre. A Rosa, o Leão e o cachorro existem para nós que os vemos, admiramos e eventualmente os amamos. E para eles mesmos? Sem o poder do raciocínio, o que são esses bichos e essa flor que representa todas as outras?
Por nosso turno, nós humanos pensamos. As vezes muito, as vezes pouco, as vezes alguns abdicam desse direito e privilégio que é pensar e agem como o cachorro e o Leão e alguns poucos até como a Rosa (e nem sempre são cheirosos). Pensar e sobretudo elaborar os pensamentos é um privilégio tão grande, é o que nos define como humanos é um privilégio que Deus (no meu caso, o Deus Jeová, da cultura Judaico-Cristã), nos deu. Pensar é perceber-se e perceber-se é sim viver. Perceber-se é o que determina o que podemos ser e fazer e qual o nosso lugar nesses planetinha azul.
É percebendo-se, que percebemos que existem outras pessoas a nossa volta, que também se percebem e pensam muitas vezes de forma diametralmente oposta. Perceber-se é o que deveria fazer com que nosso entendimento nos fizesse ver que tudo bem pensar diferente, que isso não deveria nos dividir, mas nos unir, pois a diferença deveria ser a cola da nossa pluralidade, não a pedra a quebrar a janela da nossa alma. Pensar diferente e perceber-se diferente deveria fazer a nossa água ser cristalina, não turva-la.
Se eu sou diferente de você, ok, pois ainda sim sou humano e como você, não comerei meus filhotes. Se por outro lado, um surto me fizer come-los, nossa espécie criou leis para me punir e você não precisa me matar, apenas deixar que a justiça cuide de mim. Se eu voto em alguém diferente de você, isso não se trata de sermos inimigos, mas termos um pensamento diferente no espectro político. é quase como se eu gostasse de banana e você de maçã. E dai?
Mas se eu penso e você também pensa e ambos nos percebemos humanos, não podemos ambos nos sentir parte do mesmo Universo e juntos rendermos graças a quem nos criou humanos ainda que diferentes? Se eu penso e você também, eu posso te chamar de irmão, mesmo que você seja negro e eu branco. Eu posso te amar ainda que você goste de pessoas do mesmo sexo que o seu e eu de pessoas de sexo diferente. Se eu me percebo humano e você também, podemos nos dar as mãos e eu te ajudo a criar o seu filho e você o meu e ensinamos a ambos que é ok ser diferente, que o diferente não é errado, é só diferente.
Se eu penso e me percebo e você também, me perdoe quando eu errar e eu perdoarei você, pois eu me percebo humano e imperfeito e você é como eu, imperfeito, porém humano. Se eu Sou parte do mesmo Universo que você participa e não somos inertes como a Rosa, que não pode impedir alguém que colhe-lha apenas para satisfazer-se com seu perfume, me ajude quando eu precisar, quando eu estiver em dificuldades, não porque eu possa te ajudar de volta, mas porque você pensa e se percebe e é humano e um humano pode ajudar o outro e se pode, talvez deva.
Nascemos com uma sede interminável por significado e propósito, somos humanos e pensamos afinal de contas. Me ajude a me localizar nesse mundo e eu te ajudo também. Se eu sou humano e você também é e nos percebemos como tal, me de a sua mão e eu te darei a minha e talvez, eu disse talvez, possamos construir um mundo novo, a partir do momento em que mais do que simplesmente existirmos, a gente possa se perceber.
É isso.
Ouvindo: Os Arrais
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