Tchau, Facebook. Tchau, Instagram.
Normalmente falo no final, mas estou ouvindo Requiem, de Mozart. Nada mais apropriado, pois o Requiem nada mais é do que uma missa para os mortos e hoje no final da tarde vou assassinar sem dó minhas duas redes sociais Facebook e Instagram. Por que? Por que cansei.
Jamais as redes (anti) sociais deveriam causar desconexões pois posto que são redes, deveriam criar caminhos, diminuir distâncias, encurtar contatos, expandir pensamentos, providenciar a troca de idéias ainda que essas ideias sejam antagônicas. Afinal, pessoas podem ter ideias antagônicas sem antagonizarem-se. Não existe necessidade de ideias diversas ferirem alma e corações apenas por serem diferentes.
Mas se na teoria tudo isso é muito belo, na prática a conversa é outra. Pessoas se incomodam com as ideias de outras pessoas, Tecem julgamento de caráter baseado apenas em uma única colocação esparsa. Um único posicionamento quer seja político, quer seja religioso ou de qualquer outra espécie é suficiente para balizar tudo o mais na vida de quem o emitiu, ainda que esta seja uma ideia tola e sem sentido.
É natural e até saudável que as pessoas se dividam em grupos de afinidades seja em redes (anti) sociais, seja na vida, mas nãoé saudável e nem mesmo natural esses grupos rivalizarem a ponto de gerar o ódio, a amargura, o pranto e outros sentimentos negativos. Eu achava que o mundo estava apenas chato, mas na verdade o mundo esta perigoso. O extremismo que todos imputam a Islâmicos e outros grupos remotos esta a um clique, a uma postagem cheia de intolerância e ódio seja contra Nordestinos Brasileiros, Negros, Cubanos e que tais. A KKK mudou de uniforme e forma de atuar e mesmo de país. Hoje não são Americanos Sulistas vestindo suas ridículas roupas brancas de Gasparzinho carregando cruzes incendiárias. Hoje o extremismo esta atrás de um notebook Aplle ou um Iphone de última geração, brinquedinhos que a ultra direita ama cultuar como símbolo dos bem sucedidos.
Infelizmente hoje pensar diferente é falar mal, torcer contra, querer o pior para o seu país ou cidade. Como chegamos a isso? Creio que as redes sociais acabam dando voz e uniformidade de discurso a grupos que antes não tinham tanto alcance com seus tímidos megafones. Hoje alguém sem relevância alguma como eu fala em cada post para 300, 400 pessoas e pessoas com alguma relevância conseguem multiplicar facilmente este número em 10, 20, 30x Os que possuem real relevância não falam para menos de 40, 50 mil pessoas a cada tuíte, a cada postagem.
É interessante notar que essas pessoas de real relevância monetizam suas redes ganhando para muitas vezes espalhar o ódio e tendo discursos absolutamente contraditórios que vão muitas vezes de encontro apenas ao que os seus patrocinadores querem que seja propagado em detrimento ao que pensa realmente o ser "relevante" que espalha o pensamento que for.
Hoje o ódio religioso e principalmente o político norteia as redes sociais. O clima vigente é o que diz que "se não esta a meu favor, esta contra mim", o que evidentemente é de uma falta de racionalidade impressionante. O mau, lentamente esta vencendo o bem, a verdade é essa. é uma triste verdade, porém verdade é.
Meus posts no Facebook, mal ultrapassam 5, 6 curtidas. No Instagram, muitas vezes zeram. Isso não significa que passem desapercebidos, as pessoas os leem, pois recebo feedback no chamado "privado" o tempo todo. Pessoas tentam me doutrinar a seguir o caminho do bem, da "união", quando jamais tencionei desunir quem quer que seja. Minha saída dessas redes não será nem comemorada nem lamentada. Sera indiferente, como deve ser. Manterei meu blog, pois ele precede o Facebook e o Instagram. Farei um post de despedida em cada um, pois sou dramático. A vida segue, o mundo continuará a girar. Ainda será dia no Brasil e no noite no Japão. Sair dessas redes não me causará angústia ou dor, apenas alívio pois não serei mais hostilizado.
Viva a diversidade! Ou melhor, seria bom se ainda nesta geração conseguíssemos ressuscitar a diversidade. Ela, ao menos no Brasil, anda mortinha da Silva. Só esqueceram de enterrar de vez a pobre.
É isso.
Ouvindo: Requiem de Mozart
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