Sobre Cachorros, Hipermercados e Alguns Equivocos
Não apenas sobre cachorros na verdade, mas sobre animais em geral. Sinceramente, meu coração na bate acelerado por animais. Tenho uma gata, tive vários cachorros, tive outros gatos, mas não me apego pois tenho muito medo de sofrer com a morte deles. Tive um cãozinho que amei demais, o Nero. Pois bem, o Nero foi morto em minha frente em um almoço de Domingo. Forçaram o cachorro a beber pinga. Ele rodou, rodou e morreu arfando praticamente em meus braços enquanto a malta ria-se divertida. Não quero amar mais cachorro ou animal algum.
Por outro lado, respeito profundamente qualquer animal. Respeito que se deve ter por qualquer ser vivo e aqui não vai uma gota de hipocrisia. Sou carnívoro, curto um churrasco bem passado e me acabo em um rodizio Japa. Para mim, seria de uma hipocrisia infame eu ficar dizendo que animais tem o mesmo status de seres humanos quando eu devoro alguns com prazer real. O fato de eu depender de outros para abate-los significa que eu sou covarde, só isso. Pois se ninguém se dispuser a abate-los eu forçosamente viro vegetariano.
Com em tudo na vida, tento prezar pelo equilíbrio. Se não sou daqueles que amam cachorros e gatos mais que a própria vida com ja disse os respeito e sim, me sinto no direito de indignar-me com o acontecido no Hipermercado da rede Carrefour. Uma indignação genuína baseado na firme crença de que a pessoa que matou o cachorro o matou porque circunstancialmente foi lhe pedido para se livrar de um cachorro. Se fosse um ser humano, ele teria feito a mesma coisa. Simples assim. O que aconteceu naquele Hipermercado rebaixa o ser humano a categoria de ser não pensante, puramente instintivo e com os instintos mais baixos que se possa ter.
Ainda que as lojas do Carrefour sejam todas assépticas, com uma iluminação exemplar, produtos de qualidade e preços até que razoáveis, parece que ali nada é pensando no sentido de ser mais que uma loja de se comprar. O termo "experiência de compra" definitivamente não se aplica ali. Já tive momentos desagradáveis na mesma loja onde ceifaram a vida do cãozinho e tenho a firme crença que não fui ali agredido por ser dono de um olhar extremamente ameaçador quando necessário. Verdade seja dita, o Carrefour não esta sozinho, Lojas de grande giro de pessoas e mercadorias no Brasil não sabem proporcionar momentos agradáveis ao consumidor. Querem apenas o nosso dinheiro da forma maia direta e rápida possível. Triste.
Quanto aos equívocos, eles são vários. que se resumem em um: Pedir o fechamento da loja. Senão, vejamos:
1. O cachorro foi ficando pela loja porque funcionários se afeiçoaram a ele e o alimentaram, deram de beber e criaram um ambiente onde ele se sentiu seguro. Ora, se isso aconteceu fica claro que não se pode tomar todos os funcionários que dependem de seus empregos pela atuação de dois abestados, a sabe, o Gerente de segurança e o segurança em si. Pedir o fechamento da loja seria sacrificar inúmeros empregos de forma desnecessária e por que não dizer, cruel.
2. Esse amor desmedido de alguns por animais nas redes (anti) sociais parece mais uma daquelas oportunidades de se parecer legal, quando o ideal é apenas ser legal que como eu sempre digo, da menos trabalho. O mercado, que evidentemente não será fechado, estará com seu movimento totalmente recuperado aos níveis pré incidente em menos de um ano. A grande maioria das pessoas que querem o seu fechamento estarão lá comprando seu contra - filé e linguiça calabresa.
3. Respeito os que realmente se compadecem de animais tomando inclusive a decisão de não consumir nenhum de seus derivados, quer seja leite, bancos de couro e tudo o mais. Respeito menos aqueles que não sabem que suas maquiagens em sua grande maioria são testadas de forma cruel em animais assim como praticamente todos os medicamentos usados por nós nos dias de hoje. Esses animais de laboratórios não são mortos a pauladas, mas de forma tão cruel quanto e muitas vezes além de cruel, lenta. Onde estão essas pessoas, ativistas de fim de semana quando esses animais clamam (claro que em figura de linguagem) indefesos por justiça.
4. Claro que sei diferenciar os ativistas de boutique e os que realmente amam os animais mas por um motivo ou outro comem a carne de alguns deles. Isso é compreensível. O que para mim é inaceitável é querer generalizar e misturar a postura de alguns imbecis com a de todos os funcionários do mercado.
Embora o Carrefour tenha ganho com sobras o prêmio "Pior Gestão de Crise 2019), para mim é evidente que seus funcionários não podem ser penalizados por este motivo. Espero sinceramente que o bom senso possa imperar de todos os lados e sobretudo que os reais culpados pela tragédia da morte deste cãozinho sejam punidos de forma exemplar, mas apenas os responsáveis, não quem por acaso trabalha na loja e certamente sofre com o ato de crueldade ali cometido.
É isso.
Ouvindo: 4HIM
Comentários