De Quando Eu Era Adventista



Eu cresci na Iasd (Igreja Adventista do Sétimo Dia). Fui um Desbravador, alias, sou um Desbravador, apenas que não uso mais o uniforme, mas tenho meu lenço usado na investidura guardado com carinho até hoje. Confesso que não era um Desbravador dos mais apaixonados, pois esse lance de natureza pra mim pega muito bem assistindo "Homens da Montanha" no History, jamais ao vivo no meio do mato, mas aprendi lições valiosas no clube. Lições que trago para a vida.

O que sempre me atraiu na igreja e verdade seja dita me manteve ligado a ela por muito tempo foi a música. Sempre me envolvi com esse departamento na igreja e sempre dei o meu melhor. O fato de gostar de ler também sempre me fez ler livros e mais livros e claro, a Biblia. Amo a clareza com que os Adventistas interpretam os textos biblicos, sem paixões, sem "clubismo" atendo-se a palavra escrita. Ao contrário do que muitos pensam, o Adventista não é apaixonado pelo Sábado mais do que é apaixonado pelo Criador do Sábado. Isso é uma falácia pobre e sem sentido. Amamos o Sábado porque ele foi criado por nós e para nós, um presente do Eterno para o seu povo que Ele pretendia (e pretende) dar a todos que o aceitarem.

Embora na minha época não houvessem "personalidades" proeminentes capazes de mesmerizar multidões em redes sociais que sequer eram sonhadas em existir, existiam alguns pastores que eram referência e que sempre que possível nos deslocávamos em caravanas para ouvi-los. Alejandro Bullon, Edson Rosa, Ronaldo Oliveira (meu preferido desde sempre), eram pastores que sempre que possível reuniam pequenas multidões para ouvir suas pregações. Grupos como Prisma, Projetart, (a quem eu por algum motivo insondável insistia em chamar de Projebozo) e claro Arautos do Rei e Alessandra Samadello, a trilha sonora deste post, inclusive, enchiam o  coração de alegria cada vez que apareciam em algum lugar em que fosse possível ir vê-los.

Existia de minha parte um pequeno ritual aos Sábados pela manhã. Escolher uma roupa que ficasse bacana, um sapato bonitinho e chegar a igreja com o melhor sorriso. Claro que a medida que eu ia crescendo as roupas eram calculadas para chamar a atenção das moças e o sorriso não era inocente e assim era  e creio que ainda é na Igreja Adventista, os jovens se casam relativamente cedo e entre si. A expressão "Girl The Next Door" faz todo sentido na IASD.

Fiz parte de grupos vocais e com estes grupos sempre estávamos em alguma igreja  diferente a cada final de semana. Cantando, pregando, tomados pela vontade de levar a palavra do Eterno a quem se dispusesse a ouvi-la. Fui Sonoplasta de um grupo e vocalista de outro. Ainda me pergunto como, acho que era na base da "brodagem" o lance do vocal, porque se por um lado eu era sim, um excelente sonoplasta e falo sem falsa modéstia afinal fui construindo essa habilidade, cantar era uma coisa pavorosa.

Em resumo, minha vida na IASD principalmente na Adolescência e juventude, foi muito feliz. Mas eu cresci. Hoje reviro os olhos ao ver Leandro Quadros posar de intelectual Adventista, com sua ironia sem sentido e muitas vezes agressiva e alguns cantores que acham realmente que são alguém, não instrumentos do Eterno. Sou apaixonado pela IASD, mas claro, não me declaro Adventista para não trazer o opróbio  a igreja que amo. Livros como "Projeto Sunligth" e  "A Canção de Eva" ambos de June Strong trago no coração. Pessoas como o Primeiro Ancião da igreja que frequentava a IASD Penha, irmão Silvio Carnovalle, levo no coração também. Amo a igreja da minha infância e juventude e embora longe dela esteja e provavelmente nunca mais me aproxime, ainda sim me sinto ligado emocionalmente a ela.

Quando vejo uma noticia sobre o trabalho do Serviço Social da Igreja, dos Desbravadores ou mesmo quando Ben Carlson tentou ser presidente Americano, sorrisos vem aos meus lábios. Não sou mais Adventista a tempos, mas amo minha ex igreja.

É isso.

Ouvindo: Alessandra Samadello

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