Na Praia, De Moletom. (Continuação Do Post "De Quando Eu Era Adventista")
Moletom, para mim é uma roupa abominável em qualquer situação. Tenho horror a moletom, embora, sendo eu o poço de contradições que sou, no inverno eu circulo pela minha casa com uma calça de moleton bem quentinha. De qualquer forma, moletom evidentemente não combina com praia. A menos que seja uma praia no Alasca.
Ontem falei em um post sobre o tempo em que fui Adventista. Se fui, é porque não sou mais. Mas não ser mais Adventista me faz ser um E.T que anda de moletom pela praia em pleno verão. Sim, eu sinto falta da Escola Sabatina. Eu sinto falta de ver a molecada no Sábado a tarde uniforme aprendendo suas especialidades no clube de Desbravadores. Sinto falta de ver aquelas irmãs e irmãos abnegadas (os) que abrem as IASD cedinho, todo Sábado e nas noites de Domingo. Sinto falta daqueles cultos de Quarta com tão pouca gente mas gente disposta a orar até o joelho criar feridinha no atrito com o chão.
Sinto falta de poder dizer quando perguntado se frequento alguma igreja, dizer que frequento minha amada IASD. Sinto falta de algumas amizades que fiz por lá. Sinto falta da música, de estar envolvido com ela, a música de forma direta. Sou um E.T andando de moletom na praia, com o Sol a pino, onde quer que eu vá. Vou em outras igrejas e sei que são apenas receptáculos de pessoas e que muito poucas delas querem de fato uma experiência com Cristo quanto vão a qualquer uma delas.
Mas fato é que não me sinto a vontade em nenhuma outra. Tento dizer para mim mesmo que sim, me sinto, mas tenho 46 anos, não consigo enganar a mim mesmo. Não, não é hábito, não é um simples costume e nem o fato de ir desde pequeno a IASD. É uma falta real, um buraco que se abriu em meu peito, uma tristeza contida porém contínua, uma vontade de circular sem camisa, algo que só faço em casa e sozinho como agora realmente a vontade. Em qualquer outro lugar que eu vá, por mais que eu me encante com as pregações que elas falem ao meu coração, que a liturgia me agrade, ainda sim sou um ET circulando de moletom, um desconfortável e pesado moletom que adoraria tirar mas não me sinto a vontade para tanto.
Já não me encaixo em lugar nenhum por natureza. Me sinto inadequado, pequeno, diferente, enfim, fora de esquadro seja onde for. Na IASD, que engraçado, posso ir a qualquer uma, mesmo nunca tendo pisado antes naquela que estou no momento que me sinto em casa. Sei que para a maioria das pessoas o lugar que mais me sinto a vontade é em um salão de vendas de um plantão de venda de imóveis. Ledo engano. Eu amo vender imóveis, mas largaria tudo para trabalhar em um estúdio como assistente de produção que fosse.
Existe em mim a necessidade de deixar de ser um ET andando pela praia no fim de tarde. Existe a necessidade de ser quem eu sou, não quem eu construí para mim mesmo que sou. Bobagem eu dizer para mim mesmo que não sinto mais falta do que eu sinto. Existe um cais em um porto próximo onde eu posso atracar, mas insisto em ficar a deriva, vendo-o de longe, ainda que ao alcance dos olhos.
Eu estou andando na praia de moletom e na verdade esse moletom cada dia se molda mais ao meu corpo e talvez eu não me sinta mais incomodado muito em breve por estar vestindo-o. Sinto falta de estar a vontade, mas na vida, nem sempre fazemos, ou ao menos eu faço o que eu tenho real vontade.
É isso.
Ouvindo; Os Arrais
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