A Bailarina e Sua Menina/Quando Eu Assisto Bombas Como IO



A Bailarina e Sua Menina é um livro escrito em forma de roteiro cinematográfico que a anos tento escrever. Nunca fico bom e descarto 100, 150, páginas de uma vez. Não sei escrever e reescrever. Se não gosto de um trecho, me vejo obrigado a começar tudo de novo. A ideia é muito bacana sem falsa modéstia. Um bailarina de caixinha de música (um dos objetos que mais me fascinam desde a infância) recebe o folego da vida e adota sua dona, uma  menina de pouco mais de seis, sete anos, que a ganhou da avó.

Só o processo de escolha da caixinha já transpira delicadeza a avó, é a melhor amiga da menina e toda vez que penso em uma atriz penso em Irene Ravache para o papel. Uma loja dessas de bairro desses bairros especiais como a Vila Madalena e uma sessão só de caixinhas de música. Uma vendedora igualmente avó e depois de uma conversa cheia de lembranças de uma vida bem vivida de ambas a escolha da caixinha. Enfim, encurtando a história, a bailarina ganha vida e acompanha toda a vida desta menina, até que ela mesma se torna avó e presenteia a sua neta com a caixa.

Nada que se pareça com Toy Story, por favor. Seria um livro denso, melancólico mesmo, com raros momentos de descompressão em forma de humor, seria quase desesperançado, mas sempre delicado, bonito de se ver sem ser piegas. Quem sabe um dia consigo concluir? Se conseguir certamente correrei todos os agentes literários possíveis e produtores  atrás de um bom roteiro. Não tenho dúvida de que consigo publicar e menos dúvidas ainda que no árido cenário de talentos nacionais na literatura, seria uma chuva refrescante.

Dai resolvo assistir IO, uma bomba travestida de ficção científica produzida pela Netflix. Nada faz sentido em IO, nada! Um roteiro cheio, lotado de furos, sem sentido, sem a menor coerência, sem nada, nada mesmo que se possa admirar. Dois atores em atuações que lembram  André Marques como Mocotó em Malhação, ou seja, uma dor de dente é mais bacana. Como um filme desse pode ser produzido? Como pode se levar a sério um roteiro que não é que tenha um furo ou outro, é simplesmente uma peneira. Revoltante!

Filmes descartáveis são produzidos aos borbotões, você nem se lembra qual era o sentido da história 20 minutos depois de assisti-los, mas IO é o pior filme que já vi em muito anos. Não tem nada que faça sentido, nada! Me revolta ver que roteiros são escritos a toque de caixa para serem lançados  em plataformas como a Netflix. Filmes lançados apenas par fazer dinheiro, nada mais. Filmes que degradam a função da arte rebaixando-a a pura atividade mercantil e arte não é isso de forma alguma.

Que importa se ninguém lê um livro, ouve uma música ou vê um filme se cada uma dessas expressões artísticas tem real talento? Que importa se a música de fulano tem 10 views ante 10.000.000 do outro fulano? Arte não se conta pela quantidade de likes. Arte se leva em conta pela quantidade de emocionar a quem vê. IO, o pior filme já produzido pela Netflix! Horroroso!!!

É isso.

Ouvindo? Jay Vaquer

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