Jacinda Kate Laurell Ardern
Jacinda Kate Laurell Ardern. Confesso que ignorava completamente sua existência até o fatídico massacre (palavra horrível) acontecido em seu país. Jacinda é Primeira Ministra da Nova Zelândia, país pitoresco, ao menos para mim que gostaria de conhecer um dia. Ali, houve a mais ou menos duas semanas, um brutal extermínio de pessoas inocentes cometido por um louco psicopata que sem traço qualquer de piedade, empatia ou qualquer outro bom sentimento atirou e matou em um número indizível de pessoas e feriu outras tantas. Um louco, acesso legalizado a armas, uma cidade pacífica. A cidade a sua mercê. A brutalidade aflorou. Triste.
Jacinda, uma mulher nada menos que extraordinária, tinha vários caminhos a percorrer. Poderia ser populista, poderia vomitar um discurso de ódio, poderia ter até mesmo se eximido de responsabilidade se omitindo como a grande maioria dos políticos fazem. Jacinda, surpreendentemente, ao menos para quem não a conhecia, buscou o caminho da união. Com um discurso que mescla compaixão, seriedade no trato das possíveis causas do terrível episódio, firmeza ao prometer rever a lei sobre porte de armas independente de ser uma medida popular ou não e sobretudo uma mobilização incrível que a fez visitar o local da tragédia, confortar parentes e amigos de vítimas e uma sinceridade comovente, Jacinda mostrou ao mundo (não que fosse sua intenção) que políticos podem ser seres humanos antes de serem inescrupulosos seres que capitalizam a dor alheia.
A Nova Zelândia está em choque, o mundo esta em choque. Mas Jacinda busca manter o equilíbrio. Não deu sequer um pingo de notoriedade ao atirador recusando-se a sequer pronunciar seu nome, uma lição que a imprensa brasileira e mesmo nossos políticos poderiam buscar aprender. Jacinda virou o seu foco para o grande causador do problema, o porte legalizado de armas em seu país. Não sabemos se ela vai conseguir mudar a lei como gostaria, mas vê-la tentando é algo que conforta meu coração.
Como qualquer país do mundo, o dela tem os seus problemas, embora tenha a vantagem de ter um povo muito mais educado, tanto na educação formal quanto em todas as variantes que esta educação traz, mas ainda sim, não está livre da sanha psicótica que pode afetar de forma indiscriminada a quem menos imaginamos que pudesse ser afetado. Apertar o torniquete na questão das armas é uma atitude sensata seja lá, seja em qualquer lugar do mundo. Por mais que mentes pouco afeitas ao diálogo a democracia e a convivência pacífica queiram inculcar a ideia de que armas são a solução, os fatos, sempre eles, os fatos, mostram que elas são muito mais um problema que qualquer outra coisa.
A Primeira Ministra recebeu ameaças de morte via Twitter entre outras barbaridades mas segue como exemplo de liderança não apenas para seu país mas para o mundo. Neste mundo, louco mundo que vivemos, ela deveria receber elogios e apoio mas recebe juras de que sua vida vai acabar. É triste, porém real.
Força a Jacinda e ao seu país é o que eu desejo e envio em pensamentos desde Osasco, SP, BR. Quanto ao nosso, essa gente jeca, essa gente cafona que o tomou de assalto, essa gente que nada vale, me faz ficar em compasso de espera. Essa gente realmente acha que é dona do meu país. Fazer o que???
É isso.
Ouvindo? J. Cash
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