Minha Fama de Mal , O Filme - Uma Crítica



No Brasil, dificilmente se faz uma biografia, seja ela no cinema, ou em forma de livro que não seja chapa-branca. Sempre se exalta o biografado a exaustão contando uma ou outra passagem pouco edificante da pessoa em forma meio de galhofa para parecer mais engraçada do que realmente foi. Minha Fama de Mal, o filme biografia de  Erasmo Carlos é exatamente isso. Biografia água com açúcar feita para daqui a alguns anos virar sessão da tarde.

Não que seja isenta de méritos. De forma alguma. O trio de atores principais encabeçado por um surpreendente Chay Suede da conta do recado de contar com certa graça a história não apenas de Erasmo, mas da formação da Jovem Guarda, estilo musical que para mim tem suas qualidades e ela superam as tantas criticas que recebeu quando de seu lançamento pelos pseudos intelectuais que faziam vezes de críticos musicais na época.

Um dos méritos do filme reside exatamente nos arranjos para as canções de época, muito bem feitos e de novo reside no trio de atores e no fato de cantarem razoavelmente bem, mas com extremo carisma. Carisma este que faz com que se olhe o filme com uma bondade maior que a devida já que direção de arte, reconstituição da época e outros adereços técnicos são absolutamente equivocados assim como é equivocada  a direção de diminuir o papel de Tim Maia tanto na carreira de Erasmo quanto na de Roberto que foi fundamental, não a coisa desinteressante mostrada na tela.


Vale também ressaltar a participação de Bruno De Lucca, um ator nunca menos que medíocre, alias chama-lo de ator ofende a classe, mas como Carlos Imperial ele soube por incrível que pareça dosar o histrionismo intrínseco ao personagem e criar um personagem, não uma caricatura tosca como eu esperava ver. Isabela Garcia envelhecida com uma maquiagem elegante, faz uma mãe de Erasmo senão espetacular ao menos palatável. A bobagem de Paula Toller como Candinha podia ter sido cortada da edição final, uma papagaiada sem sentido e boboca.

Entre erros e acertos o que se ganha ao assistir Minha Fama de Mal são os deliciosos números musicais, todos eles. Bem feitos com uma banda que se diverte ao executa-los e faz com quem assista divirta-se junto. Sobre Roberto Carlos o personagem, apenas digo que se o ator que o interpretou fosse o real Roberto, talvez ele fosse menos ruim do que de fato é.

Minha Fama De Mal vale a vista, Mas não é uma brasa, mora?

É isso.

Ouvindo: Erasmo Carlos

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