Mercy Seat. 2x , Duas Versões, Duas Visões Absolutamente Distintas



Nick Cave com sua versão absolutamente debochada de Mercy Seat me faz querer zombar da morte. Nada além disso. Nick é o condenado a morte que não esta nem ai com nada, e se vai morrer, que seja logo, que seja acelerado o processo como acelerado é o arranjo que ele e sua banda a Bad Seeds escolheram para interpretar esta espetacular canção.

Realmente  a última noite de um homem na Terra pode ser encarada dessa forma, rápida, sem maiores reflexões, apenas esperando o tempo passar e querendo que ele passe de forma célere para que tudo se encerre o quanto antes. O prisioneiro de Nick Cave deixa claro desde de o início que suas alegações de inocência são nada mais que falsas e ele nem se importa em mentir. Sabe que não tem saída e mais que conformado, ele tira um grande barato de seu próprio infortúnio. Existem pessoas que não se arrependem mesmo é da natureza delas e além de não olharam para trás com um olhar diferente, encaram o futuro que lhes restam com absoluto desdem. Nick não está para brincadeira neste vídeo.



Já Johnny Cash muito provavelmente por sua extrema ligação com os assuntos vindo do alto, da a mesma canção um tratamento de música Cristã e a afasta da gozação, da chacota, levando-a para o patamar da reflexão de um homem se não arrependido, ao menos em busca de respostas para acalmar seu coração nas poucas horas que lhe restam.

O homem de J. Cash também é um mentiroso de primeira e Cash não tenta esconder isso, mas lhe da com sua interpretação ao menos a possibilidade de uma redenção quase que insuspeita. Nick Cave canta como se fosse o próprio prisioneiro que morrerá, Cash continua sendo Cash, mas se coloca no lugar do homem ao contar a sua história e a diferença embora sútil, existe e é marcante.

Um Orgão sombrio permeia a música e  na segunda metade o seu Piano é algo quase aterrorizante, quando ele, o personagem finalmente percebe que o jogo para ele terminou. Jesus é onipresente em toda a interpretação pois como afirmei é uma interpretação totalmente religiosa a de Cash, enquanto Nick Cave parece beber com o Demônio no boteco da esquina enquanto interpreta a mesma canção.

Ai esta a beleza da arte, da arte verdadeira que se permite ser o que o ouvinte quiser ver, sem amarras, sem limites na imaginação  e sobretudo no que se quer dizer realmente porque nem sempre queremos dizer sempre a mesma coisa mesmo repetindo as mesmas palavras.

Tanto Cash quanto Cave brilharam com suas visões particulares e mais que isso singulares sobre a mesma obra de arte e quem ganha é o público.



É isso.

Ouvindo: Cash/Cave

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