No Meu Vilarejo
Tivesse eu um vilarejo e ele seria antes de mais nada, de todos. Não gosto deste negócio de meu, vilarejo, meu carro, meu, meu , meu... A vida, quando compartilhada é bem melhor. O aspecto do meu vilarejo certamente seria como o local onde morava (ou mora, vai saber), Frodo Bolseiro da saga Senhor do Anéis, o que de cara situaria meu vilarejo na Nova Zelândia, onde a saga foi filmada.
No vilarejo da música dos Tribalistas, que inspira este post, é segundo Marisa Monte "Primavera" no meu, as casas seriam todas dotadas de lareira, pois seria inverno. Não por macambúzio que eu seja e de fato sou um pouco (ou muito), mas porque amo mesmo o frio a ideia de uma noite a beira de uma lareira regada a boa comida e bebida me é muito, muito cara. Cobertores pesados, camas confortáveis e pronto, meu vilarejo não precisa muito mais que isso além de casas escavadas na pedra e decoradas com toques rústicos mesclados a uma certa modernidade sóbria. Meu vilarejo vai tomando forma.
Proibido em meu vilarejo seria a ideia de proibir alguma coisa exceto a inveja. Os habitantes do meu vilarejo seriam todos absolutamente livres deste sentimento nefasto e cooperadores entre si em busca do bem comum. Talvez ali fosse uma espécie de enclave socialista, mas não o socialismo abjeto que reduz as pessoas a duas categorias, os explorados e os que os exploram. Não, nada disso! Seria um local onde o bem comum seria a roda que faz o moinho girar e a aguá ser igualmente dividida entre todos.
Eu acho que talvez as pessoas tal qual a música poderiam em algumas momentos ao invés de andarem, voarem. Porque a vida quando é leve e desinteressada do mal, talvez traga a beleza dos homens voadores ainda que sem asas. Homens que voam, ainda que mulheres sejam, são pessoas tão evoluídas que não precisam de forma alguma ter. Para eles, basta ser e sendo, acabam fazendo caber toda gente em um espaço que os olhos dos homens comuns considerariam suficiente apenas para no máximo existir um Alphaville e suas casas de péssimo gosto com sua simetria desprovida de criatividade.
A arquitetura do meu vilarejo, diga-se de passagem, seria um capítulo a parte. As casas seriam pensadas como lugares de convívio e acima de tudo, união. Espaços amplos não porque grandes são os espaços, mas porque pessoas de nobres corações ali habitam e corações nobres fazem espaços dobrarem, triplicarem sem que nem se perceba a diferença física do evento. Seria um vilarejo meio mágico sim, mas não essa magia vulgar de fazer desaparecer mulheres, carros ou similares. A magia do meu vilarejo seria a da multiplicação das boas intenções e é isso que importa no fundo, boas intenções, porque elas transformam almas mais ou menos em almas comprometidas com o outro.
Claro que meu vilarejo como eu disse jamais seria meu e sim uma experiência a ser replicada pelo mundo e não porque eu seja alguém tão bom, tão bacana que ao pensar em um vilarejo ele seja a solução do mundo, seja toda cura para todo o mal, até porque toda cura para todo mal esta no Hipoglós, no Merthiolate e no Sonrisal como brilhantemente defende Fernanda Takai e sua banda, Pato Fu. Meu vilarejo seria antes de mais nada um lugar de transformação seria a possibilidade de pessoas ao longo do tempo transformarem-se e tornarem-se elas mesmo agente de cura, expandindo o vilarejo porque qual seria o sentido de ter um vilarejo, um lugar tão idílico e mantê-lo escondido, acessível a tão poucos?
Pensando aqui e pensando bem, meu vilarejo não seria na Nova Zelândia. Ele teria que ser no céu, ao lado de Jesus. pois " Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram e nem jamais penetrou em coração humano, o que Deus tem preparado para aqueles que o Amam"
1Cor. 2, Vers. 9
É isso.
Ouvindo: Tribalistas
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