Vamos Falar Sobre Dumbo



Dumbo, na visão de Tim Burton é antes de mais nada uma história contada a partir de imagens espetaculares. Tim tem fascinação por imagens exuberantes, quase delírios visuais e isso torna o filme um deleite que poderia ser apreciado mesmo sem diálogos. Dumbo tem o que a grande maioria dos filmes de hoje em dia carece: Alma!

Não que as atuações sejam memoráveis, longe disso. Mas o fato de não comprometerem já faz com que o filme possa fluir de forma suave, sem sobressaltos desnecessários. Danny DeVitto defende seu papel com destreza, Michael Keaton não derrapa e até a participação de Alan Arkin que é pouco mais que uma ponta, esta dentro do que se espera de um ator a sua altura. Danny Elfman cria uma trilha sonora em que a melancolia do personagem e do filme quase que como um todo é ressaltada mas como um ponto positivo.

Claro que assistir a Dumbo te faz acessar os cantos ainda impregnados com a magia de ser criança que existe ainda em maior ou menor medida em cada um de nós, pois não é um filme para ser visto de forma dura. Ha que se deixar levar pelo clima de encantamento e pela nostalgia para quem já é adulto. Crianças obviamente não terão problemas em embarcar na viagem que a história propõe e várias delas no cinema eu pude observar com aquele olhar de encantamento que as boas histórias  produzem.

Tim Burton está no melhor de sua forma e sua capacidade de emocionar ainda continua intacta. Trabalhar com seus atores-fetiches como DeVitto e Kaine também ajuda é bem verdade e sendo sincero senti uma falta imensa de Helena Bohan Carter, que até antes de separar-se de Tim era figurinha carimbada em seus filmes. Vale lembrar, por mérito, não por nepotismo. Um bom filme nunca é feito porque um bom ator esta nele, ou porque o roteiro é excepcional, ou porque o direito é fantástico. Normalmente é uma conjunção de tudo isso junto e quando um diretor pode trabalhar cm seus atores favoritos, seu diretor de fotografia, enfim, com sua gangue, o resultado é quase sempre muito bom.

Dumbo é como eu já afirmei visualmente deslumbrante mas a alma deste filme reside sem dúvida na condução segura de Burton e no roteiro  bem amarrado que embora faça concessões e crie situações que não constavam na história original, ainda sim mantem todo charme e sobretudo todo o lado emocional do original. Não é um filme de final infeliz e nem um filme feito para que te fazer chorar.  É antes um filme feito para a família, para divertir e se existe emoção em alguma medida é porque ela esta intrínseca ao roteiro, não existe uma mão pesada por trás para que lágrimas rolem. Elas vem de forma natural e se não vem, não existe prejuízo a experiência de ver o filme por conta disso.

Recomendo que se assista Dumbo como um programa de família pois é isso que ele é. Uma história que agrada pais e filhos e emociona na medida. Obrigado, Tim Burton por mais uma vez entregar um trabalho de tamanha qualidade!

É isso.

Ouvindo: Trilha Sonora de Dumbo, o filme

Comentários

Postagens mais visitadas