Bailarino? Não! Escritor? Quem Dera! Me Restou Ser Corretor de Imóveis...
Eu sou um corretor de imóveis. Quando escrevo isso com letras maiúsculas nas iniciais é porque eu estou pleno de orgulho e outras vezes como hoje, é porque eu não estou tão certo sobre este orgulho que na maioria das vezes ostento. Eu não escolhi ser corretor de imoveis, a profissão me escolheu. Eu queria ser Bailarino e Escritor. É isso! Eu queria ser um Bailarino clássico que ainda por cima seria um tremendo escritor porque as palavras me emocionam, me fazem feliz.
E a dança também me emociona. Me leva as lágrimas, me faz entender a vida por outra perspectiva. Mas a grande verdade é que não tenho a disciplina nem para um, nem para outro. Seria um Bailarino absolutamente desastrado e um escritor absolutamente aborrecido. Eu jamais escreveria um livro, "A Bailarina e Sua Menina", que anos tento escrever é uma ideia fantástica da qual eu não dou conta de desenvolver e isso me entristece, as vezes profundamente.
Posto que eu seria péssimo Bailarino e um Escritor pior ainda, me restou ser corretor de imóveis. Não sei se frustração define, até porque eu gosto da minha profissão na maioria do tempo, mas quando leio alguns livros, quando escuto alguns escritores e seus referências e de como são as suas vidas e de quanto estranhamento existe nestas vidas e na forma de vivê-las e a minha é sempre tão ordinária no sentido de comum mesmo, eu penso que deveria ter insistindo um pouco mais na ideia de escrever.
Agora, aos 46 anos, não da mais. Me tornei alguém estéril de ideias. Elas não vêem mais me assaltar no meio da noite. Eu deito e durmo. Não acordo mais olhando para a escuridão do teto pensando, tentando desenvolver algo que me ocorreu na madrugada. Já era. Meus textos aqui são todos bem chatos, com raras exceções eu consigo produzir algo que presta e isso é triste.
Eu penso muito em terminar com este blog, porque os poucos leitores que eu tenho não merecem as porcarias que eu publico aqui. Eu deveria escrever coisas boas, que fazem sentido, que acrescentem na vida dos que leem. é uma perda de tempo que me angustia e eu tenho escrito cada vez menos para talvez não decepcionar a quem lê.
Eu tenho um modelo de escritor, na verdade uma pessoa em especifico que admiro e acompanho os livros e sinto uma invejinha de não conseguir escrever nada que se pareça com o que ela escreve. Mas eu leio e releio seus textos. Eu leio e releio e outra vez releio para tentar aprender a escrever mas tenho vergonha de me pegar as vezes escrevendo no mesmo estilo dessa pessoa porque eu tenho a ilusão que ela lê o meu blog e vai se reconhecer nesses textos e dai eu apago tudo e não deixo traços.
Na verdade sei que ela, essa pessoa, não um sexo, um gênero, apenas uma pessoa, já leu algumas e até comentou sobre textos aqui publicados mas no fundo acho que foi meio por piedade saca? Aquele lance de alguém que domina a técnica e vê alguém tentando domina-la e como um incentivo escreve algo bom mas na verdade tem mais a eficácia de um placebo.
Eu gostaria de saber escrever, e gostaria de ser bailarino também. O máximo que consegui foi ser corretor de imóveis. Como diria o nada menos que genial Abu: "Ai de mim!!!!"
É isso.
Ouvindo: Pato Fu
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