Deus e As Decepções Que Lhe Causo
Será que de fato Deus se decepciona comigo? Ou será que já largou de mão? Eu deveria estar em sua casa agora e estou aqui trabalhando. Eu deveria ser uma pessoa muito, mas muito diferente do que eu sou e simplesmente abro mão disso. Eu venho pensando muito em uma música que amo, que chama-se "Quando o Fogo Se Vai" e sinceramente, acho que meu fogo se apagou. Simples assim. A primeira estrofe desta canção tem tanta poesia e ao mesmo tempo causa tanta triste em meu coração quando escuto que muitas vezes quando penso em ouvi-la, desisto. Ela diz:
"Quando o fogo se vai, só fica, só fica o cansaço, só restam as cinzas, só fica o luto.
Quando o fogo se vai, há uma confusão, na minha adoração, e a energia se esvai,
E o mundo fica órfão, do que eu deveria ser, mas não fui, me torno o que Deus, jamais pensou de mim"
Causar decepções a quem quer que seja é algo péssimo, horrível mesmo, mas causar decepções a quem lhe deu a vida e tem grandes sonhos a seu respeito é ainda pior. Deus me deu a vida e tenho certeza me capacitou para obras tremendas. No entanto, abro diariamente mão de tudo isso apenas para ser quem eu quero ser e quando paro para pensar, nem sei ao certo o que ou quem eu quero ser, tendo como única certeza o que me tornei até aqui e não é nada parecido com o que Deus sonhou para minha existência.
A beleza da natureza de Deus reside exatamente no livre arbítrio que ele nos concede. Ou seja, a decisão de ser quem quer que escolhamos ser esta em nossas mãos. Os planos que Deus traça para nós são absolutamente condicionados a nossa aceitação. Sem ela, eles não saem do papel e Deus não nos cobra nada quando a isso. Quem nos cobra, em algum momento, é a própria vida.
É ingenuidade misturada com uma boa dose de arrogância sequer cogitar que talvez o plano de Deus para a vida de cada um de nós possa ser inferior ao que nós mesmos elaboramos. Não tem a menor possibilidade de que eu planeje o que quer que seja e saia melhor que a concepção divina para o mesmo tema.
Embora a teoria seja amplamente conhecida, a prática do dia a dia me faz virar as costas para Deus a todo momento, causando decepções atrás de decepções aquele que por mim deu sua vida. Ainda sim, o amor de Deus por mim é imenso e ele está sempre disposto a relevar as tantas decepções que lhe causo em troca de minha obediência e no entanto, obedece-lo é algo cada vez mais raro e distante e desconectado da minha realidade.
As vezes me pego decepcionando a Deus de forma tão deliberada, fazendo coisas tão acintosamente erradas, que depois me pergunto como ele pode permitir que eu continue a viver. E sei a resposta: Meu futuro é traçado por mim mesmo e meus atos, todos eles. terão suas consequências, sendo que a maior de todas é a perda da vida eterna que Deus promete a seus filhos que o amarem e seguirem seus ensinamentos.
A obediência a Deus esta ligada diretamente a capacidade de ama-lo de forma total, sem reservas, entendendo que o que ele tem a oferecer é infinitamente maior e melhor que qualquer atrativo encontrado na razão humana. Enganoso é nosso coração e a vontade que temos de seguir apenas as nossas paixões em detrimento ao que Deus nos oferece.
Decepcionar a Deus aquele que enviou o seu filho por mim me faz tomar decisões sempre erráticas, sempre fora do prumo desejável. Deus, que é a essência do amor, me aguarda de braços abertos, embora eu sempre vire as costas para ele. Chega a ser paradoxal, mas as decepções que causo a Deus são no fundo as maiores decepções que tenho comigo mesmo ao analisar meu comportamento. Sei o que Deus espera de mim e sei que deveria obedecê-lo de forma inquestionável, mas o orgulho, a auto-suficiência, a fata de humildade me compelem a continuar agindo de forma absolutamente errada.
Que Deus, em seu grande amor, posso me perdoar.
É isso
Ouvindo: Fernanda Brum
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