Turma Da Mônica: Laços. Finalmente Assisti e Sim, Me Emocionei
Confesso que não fui ao cinema assistir a Turma da Mônica: porque tinha medo de me decepcionar. Sempre, fui, confesso, um fã inquebrantável dos quadrinhos de Maurício de Souza, praticamente fui alfabetizado por minha mãe para poder lê-los sem incomodar as pessoas. Existe na criação de Maurício, algo que fala fundo em mim, por mais que os personagens sejam simples e muitas vezes improváveis, a cada revistinha que eu lia na infância, mais fã me tornava e até hoje, se acho um gibi clássico da turminha, sento e leio. E me diverto, E não raro, me emociono. Maurício é para mim, um mestre.
Por todos estes motivos resisti e não fui ao cinema preferindo guardar para mim a emoção causada pelas revistinhas. Quando soube que Rodrigo Santoro seria o Louco, personagem emblemático dos quadrinhos, confesso que a vontade aumentou em muito e o medo ainda mais, pois como seria o Louco hoje em dia, neste mundo chato onde nada pode ser dito sem soar como ofensa? Se por um lado as atuações sempre fantásticas de Rodrigo me fizeram querer ver o filme, foi fato dele estar lá que paradoxalmente me segurou ainda mais.
Porém ontem não tive como escapar. Ter o filme na TV a cabo, por míseros 18 dinheiros me fez aluga-lo na hora. E sinceramente, Que surpresa agradável, que filme singelo, que beleza, que tudo. Aqui minhas impressões não de fã, mas de alguém que gosta de cinema o suficiente para entende-lo minimamente.
Antes de mais nada logo no inicio temos a participação especial dele, Maurício de Souza. Como dono de uma Banca de Jornal e com menos de um minuto de duração, sua participação é nada menos que emocionante. Que outro papel além do dono de uma Banca poderia ter Maurício? E coloca-lo para contracenar com sua criação foi uma sacada excepcional!
A trilha sonora de Laços é de uma sutileza e uma singeleza ímpares. Uma trilha limpa que apenas embala cada situação sem aparecer, sendo apenas moldura sonora, nada além e ainda sim, absolutamente cativante. Confesso que a música de Tiago Iorc me fez chorar, ainda que internamente e agora enquanto a escuto para escrever este post, as lágrimas teimam em tentar descer, mas tem gente na minha frente então não pode. Músicas podem salvar um filme, neste caso, embelezou demais, ainda mais este filme que já é belo por si só.
Os protagonistas foram escolhidos de forma tão espetacular, que eles simplesmente são, Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão! Eles são! Desconfio que sempre foram. Os coadjuvantes como Titi, Jeremias, Maria Cascuda, Aninhas, entre outros, estão todos lá e estão todos magnificamente lá. Mas a química entre Cebolinha e Mônica é digna de nota. A cumplicidade necessária entre os dois sob pena de em caso de não existir, o filme ruim, esta tão firme e forte ali que é a cola que da sustância ao filme.
O roteiro, baseado em uma HQ já publicada é um primor de simplicidade e coesão. Sem pontas soltas, sem questionamentos vagos e trazendo no esteio uma caracterização que remete aos HQs originais onde o Limoeiro é menos um bairro e mais um enclave de um lugar que já na minha época de criança não existia, onde todos se vestem de forma comportada, tradicional até e os adultos não oferecem perigo as crianças e sim as protegem. A simplicidade da história é seu maior trunfo.
Por fim temos Rodrigo Santoro e seu Louco. Busco palavras e não as encontro, mas é uma atuação tão simples quanto mágica. Santoro não usa de maneirismos e nem cai na caricatura, mas consegue uma atuação tão rica em nuances e tão profunda que digo que é o momento em que o filme fala com os adultos que cresceram lendo Turma da Mônica. Ao menos comigo ele falou. E de novo, quase chorei. Internamente, me debulhei. Obrigado, Rodrigo Santoro.
Se você não assistiu ainda, assista. É o que posso dizer.
É isso.
Ouvindo: Tiago Iorc
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