Eu Tenho Um Carro Mas Curto Mesmo é Andar a Pé



Deus me deu um carro, confortável até. Bonito, eu diria. Me leva pra onde quer que eu queira ir. A mim e minha família e até pouco tempo atrás Charlie ia conosco mas hoje ele esta nos braços de uma garotinha que se apaixonou por ele em um farol. Esta fazendo a menina feliz e isso me basta para saber que esta em melhor situação que ficar no painel do meu carro rolando da esquerda para a direita e vice e versa.

Eu não quero ser ingrato, de forma alguma. Não quero desdenhar do que Deus me deu, mas eu de coração prefiro andar a pé ou mesmo de ônibus. Louco? Não, não sou, tenho um bom motivo para preferir andar ou pegar o busão e esse motivo é estar conectado com as músicas que gosto.

Não tem preço que pague conectar meu fone (uma merda de fone, Pioneer, te detesto e logo irei troca-lo) e sair andando por ai, ouvindo as canções que baixei no meu Spotify e me fazem um ser humano realmente feliz. Quando ando, posso pensar com clareza, não preciso ficar atento ao trânsito ou com medo que algum motorista maluco jogue seu carro em cima do meu. Eu sou feliz ouvindo as canções que seleciono porque música é o que me faz feliz.

Ter um carro, ter uma casa bacana, ter dinheiro na conta e não saber apreciar a beleza de uma canção? Não é para mim, não é comigo. E embora seja possível ter tudo isso e saber apreciar uma bela canção, me sinto livre quando caminho. A liberdade é algo para mim que não tem preço, não tem como ser comprada. A música é como a liberdade, pois me enche de alegria e nas minhas playlists me recuso a ter artistas sem o compromisso com a verdade.

Claro que isso não significa ouvir apenas artistas obscuros e sem apelo comercial, pois mesmo artistas campeões de venda tem algo a dizer a um caminhante como eu que tenha a verdade introjetada em forma de canção. Eu tenho um carro e quando olho para as formas elegantes que ele tem e a cor bonita a qual ele foi pintado quase gosto dele. Por que quase? Porque gostar de coisas materiais mata a minha essência um pouco a cada dia.

Sim, gosto de dinheiro, gosto muito e não, isso não é um contra censo. Gosto do dinheiro porque ele pode me proporcionar imaterialidades como um belo concerto musical, a felicidade de quem eu amo ao ser presenteada com algo que gosto, ajudar pessoas que amo e sei que precisam, tudo isso e mais, me fazem gostar do dinheiro, mas jamais o tomo como um fim em si mesmo ou uma forma de engrandecer meu ego. O dinheiro? Que se foda o dinheiro se não for para me proporcionar o bem e o amor.

Eu tenho um carro, mas o prazer de andar ouvindo uma música que amo é incomparável e não tem Ferrari que se compare.Eu busco a felicidade ou os momentos felizes que posso ter e sei que todos eles, todos, estarão secundados por uma trilha sonora que emoldura essa felicidade.

A felicidade para mim vem através de notas musicais e isso me basta. Se as ouço dentro de um carro me levando a algum lugar, tanto melhor, mas é andando que eu percebo o mundo e encaixo essas notas dentro do que eu posso chamar de realidade.

É isso.

Ouvindo: Tulipa Ruiz

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