João, O Obstinado



Era um obstinado, esse João. Mal comparando, João era a banda de abertura, o cara que esquenta a multidão para a chegada da estrela principal. Uma responsabilidade gigante tinha João, porque na verdade não era João um artista e nem abria show para seu ninguém (seu ninguém é uma expressão de minha mãe que eu adoro!). João, primo de Jesus, foi encarregado de abrir o caminho para a chegada Dele, o Cristo, o Salvador da humanidade em um tempo onde o povo que o recebeu, e receberia a Jesus, vivia em uma  corrupção religiosa e política como poucas vezes existiu.

João, que dormia ao relento e comia gafanhotos e mel silvestre tinha o poder da palavra, uma oratória poderosa e que desafia o status quo estabelecido proclamando em toda a extensão do Deserto da Judéia, uma mensagem que  ia frontalmente contra o poder dominante de então. João falava sobre a corrupção, sobre a submissão a Roma, sobre a falta de amor e falava João sobre o Messias que viria, Jesus, de Nazaré.

Subversivo é uma palavra que pode ser utilizada para definir João. Não, não era ele de forma alguma alguém que buscava alianças com o poder, ou que "passava a mão na cabeça" de quem quer que fosse. João era reto, direto como poucos e proclamava  um Reino que se anunciava breve, embora tratasse da eternidade. João sabia que suas pregações trariam  ira contra si, sabia que sua morte se daria pelas mãos daqueles que o odiavam mas ainda sim buscava alcançar ao maior número de pessoas que pudesse.

Até que um dia, (e que dia deve ter sido para João) Ele que batizava a todos aqueles que o buscavam em arrependimento e buscando uma nova vida no Espirito pode batizar a Jesus, o Rei dos Reis, o Príncipe da Paz. Ali estava em sua frente aquele a quem alguns estudiosos dizem ser seu primo (ainda que de segundo grau, embora consenso não haja), e ele pediu para receber o Batismo. É uma pensamento que me arrepia o corpo todo imaginar que um humano, pecador, um criado, possa ter batizado a um Incriado, que humildemente se submete a tal cerimônia para dar o exemplo ao resto da humanidade.

João se declara incapaz, se diz indigno de batiza-lo, mas Jesus insiste pelo Batismo e ele ocorre. Aqui, uma música que descreve o momento a perfeição:


O que pode ter passado pela cabeça de João neste momento? Ao ver o seu se abrir, a terra estremecer e o Espirito de de Deus descer em forma de Pomba e sobre sua cabeça pousar (Mat 3,16) e logo em seguida ouvir uma voz diretamente do céu que disse "este é o meu filho amado, em quem me comprazo" (Mat 3,17). Será que pensou João sobre tudo o que tinha feito até então? A obstinação com a qual se lançou a abrir o caminho para o Rei? Pensou João que finalmente ali, estava decidido o futuro daqueles a quem ele denunciava? Ou será que apenas deixou descer sobre si a plenitude daquele momento com o filho de Deus em seus braços?

Seja o que for que tenha passado na cabeça de João, este momento maravilhoso e único vivido por ele deve ter sido tão emocionante que o acompanhou até o fim da vida. No entanto, João, aquele que obstinado era, após este evento de proporções indizíveis, continuou o seu trabalho, denunciando a classe dominante, batizando a quem se arrependia de sua vida pecaminosa até perder sua vida de forma trágica!

João é um exemplo perene de retidão, seriedade e devoção ao Eterno. Sua história, deve ser lida e relida pois sempre ângulos diferentes se oferecerão para serem analisados. João, o obstinado.

É isso

Ouvindo: Oficina G3

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