Um Negro Torturado Por Conta De Algumas Barras De Chocolate. O horror, O Horror!



Eu ouço neste momento, Sepultura. Só o som pesado da guitarra  de Andreas Kisser e o vocal gutural vindo de algum abismo profundo da alma de Derrick Green são capazes de abafar o grito de horror que vem do fundo da minha própria alma, atormentada com a noticias que a dias atrás um jovem de 17 anos, em condição de morador de rua  foi torturado com chicotadas em um supermercado em São Paulo por ter furtado algumas barras de chocolate.

Diga-se de passagem, esses imbecis tresloucados que torturaram o jovem não são donos do mercado. Não são diretores, gerentes, não são ninguém no organograma da empresa. Não iriam ganhar bônus algum por terem "defendido o patrimônio do patrão" como cantou Mano Brown. A única coisa que conseguiram foi dar uma boa fodida na imagem do mercado entre as pessoas de bem.

Sim, porque existem imbecis que defendem a tortura de alguém que furta algumas barras de chocolate. E infelizmente no Brasil que vivemos, que esta aos poucos virando a Bolsonarolândia,  pessoas com o cérebro do tamanho de uma nós se sentem cada vez mais a vontade para cometer atos odiosos como espancar com um fio chicote feito de fio de fios usados para conduzir eletricidade. Onde estamos? Em que momento o Brasil abdicou de ser um lugar civilizado? por acaso abrimos mão de padrões simples de moralidade, de justiça de bondade de empatia para com o próximo?

Qual a lição que as chicotadas desferidas contra este garoto ensinou? E para quem? Lição nenhuma para ninguém. Serviu apenas de gozo momentâneo a pessoas completamente desequilibradas, loucas por sangue, com a maldade introjetada no coração. Não é possível que como sociedade, essa história seja apenas mais uma entre tantas que será esquecida nas brumas da indiferença.

Não nos indignarmos com um acontecimento como esse é abrir mão da nossa própria civilidade. Apoiarmos algo assim, nos torna trogloditas rematados.  O mundo esta contaminado com o mal mas ainda podemos como indivíduos buscarmos sermos pessoas melhores e mais e não "mais humanas", apenas humanas.

O mal se apresenta de várias formas. Seja um Governador de Estado macabro que  comemora a morte de um desequilibrado mental, seja com um assassino frio e calculista que comete feminicidio apenas por achar que pode, seja por conta de seguranças, assim mesmo no plural para ressaltar a covardia, que chicoteiam um jovem negro apenas por ter pego algumas barras de chocolate, como se lei não houvesse e compaixão idem.

Tá foda viver! Tá foda!

É isso.

Ouvindo: Sepultura

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