As Vezes Eu Me Sinto Assim
Em "Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças" tanto Jim Carrey como Joel, quanto Kate Winslet como Clementine alcançaram suas melhores performances artísticas. Esqueça tudo o que viu deles, especialmente a bobagem chamada Titanic que simplesmente não dá a real dimensão da excepcional atriz que Kate é e se você não viu Brilho Eterno, corra para ver. É um filme atemporal, único com um roteiro tão delicado quanto denso/tenso, brilhantemente escrito por Charlie Kaufman e uma direção segura, atenta aos detalhes que compõe seus personagens de Michel Gondry.
Sem spoilers, basta dizer que Joel não é exatamente uma pessoa popular. Eu sou Joel, eu me identifico com Joel 150% e as vezes me sinto tão desnorteado quanto ele. Joel conhece Clementine e se percebe feliz. Mas Joel é daquelas pessoas que a vida parece não se lembrar e a felicidade é tão etérea em sua vida, que logo se desfaz como fumaça.
Clementine decide se submeter a um tratamento experimental desenvolvido por um médico doidão que consiste em apagar trechos inteiros das lembranças de uma pessoa. Ela o faz apenas para esquecer Joel, pessoa que para ela se tornou tóxica demais para sequer permanecer em suas lembranças. Por seu turno, Joel acha que esta no caminho certo em fazê-la feliz e sua dor e amargura e frustração e tristeza o corroem de tal forma quando fica sabendo o que houve que, bem, assista o filme.
Sou Joel. Sou alguém tóxico, esta é a verdade. Sempre revejo este filme e ele tem um adendo que para mim faz toda diferença que é a interpretação de Beck este musico fenomenal e subvalorizado para "Everybody's Got To Learn Sometime". É de cortar o coração tanto o arranjo quanto a interpretação e esta canção reforça minha sensação sobre mim mesmo.
Quantas pessoas fariam esse procedimento apenas para me apagar de sua memória? Creio que muitas e sei que seria pior as mais importantes para mim. Não sou fácil, sou complicado demais e essa minha complicação me faz indesejável, alguém que qualquer um poderia passar sem, esta é a verdade. Não tenho atrativos, sejam físicos, sejam no traquejo social, sejam intelectuais que justifiquem estar nas lembranças de quem quer que seja.
As vezes acho que não. As vezes acho que sou uma pessoa muito legal, bacana e que talvez seja possível atrair simpatia de quem quer que seja, que minha cia seja desejada até. Bobagem! Como Joel, melhor que eu não esteja por perto. Melhor seguir meu caminho em silêncio, escondido, invisível, sem gerar alarde.
Não sei se eu mesmo tiraria alguém de meus pensamentos se pudesse. Crio que tudo o que vivi e viverei, as pessoas que por mim passaram e ainda passarão são aprendizado e experiências que preciso passar.
É triste sentir-se assim. Ainda que seja só as vezes.
É isso.
Ouvindo: Beck
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