Sobre a Cruz


Quem sou eu pra falar sobre a cruz? Ninguém, podem acreditar. Existem pessoas muito qualificadas para falar sobre o maior símbolo do Cristianismo, pessoas que vivenciaram experiências nada menos que maravilhosas  através da fé em Cristo e no seu sacrifício pela humanidade culminado de forma épica na cruz. Afinal, ali ele morreu, verteu seu sangue e como um cordeiro se entregou pelos pecados da humanidade.

Eu gostaria de ter palavras lindas e coordenadas entre si para falar sobre este assunto, mas não tenho. Não coordeno palavras em texto algum não conseguiria essa façanha agora. Mas a cruz de Cristo e toda a sua simbologia de alguma maneira mexem comigo assim como todos os evangelhos que narram a história deste homem chamado Jesus, que sendo puro santo e perfeito se fez homem por mim e por você e por mais maluco que seja, nos da o direito de dizer, "obrigado, mas essa história não me interessa".

Eu seria hipócrita se dissesse que a cruz é um pensamento que me é inseparável, que me faz a todo momento verter lágrimas e suas implicações me fazem tecer considerações profundas. Na verdade, as implicações de aceitar a cruz de Cristo e todo seu significado me fariam mudar radicalmente de vida, uma mudança que embora eu reconheça como necessária, simplesmente não quero de verdade que aconteça.

A cruz e tudo o que nela ocorreu, a morte do Messias, seu sofrimento, que vinha de antes e ali culminou deveria galvanizar a minha fé de tal forma que nada pudesse me abalar. Não é assim que acontece. Não comigo, ao menos. Existem pensamentos, situações, locais, enfim, o mundo como um todo, que acabem me seduzindo muito mais que a lembrança daquele Nazareno e seu corpo pendente, morto, inerte ali naquele pedaço de madeira. Se eu penso nisso, enlouqueço, pois me impediria de fazer tanta coisa apenas pela simples retribuição de tamanha demonstração de amor.

Sim, é egoísmo puro e simples o que este post traduz. Sim, eu prefiro viver a vida da forma que eu bem entender a de fato seguir os passos Daquele que por mim morreu. Eu acredito em Jesus Cristo e acredito em Deus o Pai. Acredito no Santo Espírito e ao contrário de tantos, não me pego com a cabeça a ribombar trovões de tanto entender o conceito da trindade. Nem acho que preciso de alguma forma entende-lo e sim apenas aceita-lo e o aceito.

Mas minha crença é tão fria e racional, sem qualquer sinal de emoção, que talvez seja meu maior problema. Talvez se eu duvidasse, se convivesse com  essa necessidade de entender os desígnios do homem de Nazaré, talvez fosse mais fácil para mim a emoção.

Acreditar na cruz, como se acredita no Bóson de Higgs não ajuda muito. Na verdade, não ajuda nada. Sem sentir-me abraçado por este crença, e pelo quanto ela pode revolucionar a minha vida, se ela se instalar no meu coração, é nada mais que intelectualismo Nerd e barato. Poder falar sobre a cruz e suas implicações sem sentir o seu verdadeiro poder curador e salvador e que pode mudar a minha vida é o mesmo que comer uma comida deliciosa a qual falta o Sal.

A cruz de Cristo é sem dúvida alguma o maior símbolo de seu amor pela humanidade. Como eu gostaria de poder retribuir a altura.

É isso.

Ouvindo: Leonardo Gonçalves/Chris Rice

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