Ad Astra
O grande protagonista de Ad Astra é o espaço. O espaço e sua imensidão silenciosa e escura e toda a poesia que pode haver em um cenário assim. Apesar de Brad Pitt estar simplesmente soberbo ao retratar o astronauta perturbado filho de um cientista ainda mais perturbado (Tommy Lee Jones, sensacional como sempre), é no silêncio do espaço que jamais é mostrado de forma ampla e infinita mas sempre em enquadramentos quase claustrofóbicos, afinal o espaço pode ser infinito mas nossa visão é limitada ao que podemos enxergar, mas enfim, é neste silêncio que as maiores reflexões propostas por Ad Astra tomam forma.
A vida, como diz a canção "Milímetro" interpretada por Daniela Araujo, é um milímetro de um segundo. Tão pouco tempo para entender os mistérios que nos cercam, tão pouco tempo para entender nossas próprias emoções e se não conseguimos entender as nossas, quanto mais as das pessoas que nos cercam. Entender as motivações do outro é tarefa quase surreal e demanda um esforço que nem sempre estamos prontos a realizar.
O filme é uma jornada emocional que me colocou em contato com minhas próprias emoções e de como é falso o controle que eu tenho sobre elas. Roy, o personagem de Brad Pitt é alguém que jamais alterou seus batimentos cardíacos para além de 80 bpm e mesmo com tamanho auto controle carrega uma raiva, uma mágoa e uma auto defesa emocional frutos de seus sentimentos confusos em relação a seu pai que o impedem de viver de forma plena. No espaço, Roy é mais que qualificado para realizar suas tarefas, mas totalmente desconectado de seu eu, de quem ele poderia ser em seus relacionamentos pessoais, em sua vida como um todo.
Roy precisava de um ponto de conexão e ele estava em Netuno, onde seu pai estacionou sua nave e por lá ficou, preso em seu projeto de achar novas formas de vida inteligente. Para ele, o pai de Roy, nada era mais importante. Nem sua família, amigos, nem ele mesmo poderia ser mais interessante ou importante do que realizar o seu projeto que no final das contas não levou a termo.
O filme tem atuações nada menos que espetaculares de seus protagonistas, tem uma fotografia primorosa, uma duração que não ultrapassa o que a história tem para contar sendo tecnicamente perfeito. Mas o mais importante é que o filme tem alma, se conecta com quem assiste, fala ao coração, faz refletir, o que é raro, raríssimo hoje em dia.
Ad Astra vale cada minuto que se investe para assisti-lo! Recomendo com veemência!
É isso.
Ouvindo: Daniela Araujo
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