E Minha Mãe Se Foi Para o Seu Descanso
Minha mãe acabou de morrer. Ela se foi, o Senhor a recolheu para o descanso onde ela ficará até o dia do seu glorioso retorno. Eu me sinto frágil e só, me sinto desamparado sem saber o que me esperar do mundo a partir de agora. É como se eu tivesse de novo 10 anos de idade. Engraçado e irônico é o fato de Fernanda minha irmã ter-se ido tão cedo e minha mãe também ter partido e eu, o pior da turma, o menos prestável, estar durando. Alguma coisa está muito errada.
A morte é algo tão natural quanto a vida desde que seja a morte de outras pessoas que não as que você ainda que de forma tumultuada, ama. Quando lembro de minha mãe lembro de minhas tão caras botas ortopédicas que nunca me faltaram. Lembro de sua jornada dupla como doméstica mesmo sendo Enfermeira para que não me faltasse nada. Lembro do pouco tempo em que fui a escola e o capricho com meu material escolar e de sua não intervenção quando decidi não mais ir.
Lembro de seus inúmeros defeitos que agora são para mim tão sem importância quando colocados ao lado de suas qualidades e sobretudo de suas lutas. Ontem a tarde revi Thelma & Louise pela vez número 300 no mínimo e toda vez que assisto, vejo em Louise minha mãe. Alguém com uma garra e obstinação imensa mas a quem a vida sempre deu um jeito de foder de alguma forma quando tudo parecia bem.
É impressionante a sua resiliência durante todo o tempo de sua doença e como lutou com a morte se recusando a ir por tanto tempo. Devia estar tão cansada hoje quando enfim se foi, que eu só posso pensar que foi muito bom que tenha partido e finalmente repousado. O seu falecimento encerra a história de uma mulher que lutou a vida toda e mesmo em meio aos seus tropeços sempre batalhou para ser alguém e para que seus filhos fossem alguém, também.
Sentirei muita falta de minha mãe mas guardo comigo lembranças de momentos realmente bons que passamos juntos, simples, porém bons. Toda vez que vou a praia me lembro que a primeira vez que vi o mar foi ao seu lado, em Santos, e ela me ensinou a "brincar" na água e por incrível que pareça teve que me ensinar a não entrar no mar com a boca aberta, já que a água é salgada.
Eu não escolheria outra pessoa para ser minha mãe. Em tempo algum. A ela sou grato por tudo e sempre serei. A vida as vezes, em dias como hoje, é uma rematada merda! Mas ela tem que seguir.
É isso.
Ouvindo: Felipe Valente
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