Eu e Essa Minha Vonta De Chorar
Eu tenho uma vontade imensa de chorar e por para fora tudo o que é opressão em meu peito. Uma vontade que não passa mas que não se materializa. Não porque eu não queira e sim porque não consigo. Não acho fraqueza alguma chorar, apenas por algum motivo insondável para mim mesmo, eu não consigo que aconteça.
Posso chorar ao ver um filme, ao ler uma poesia, ao ouvir uma bela canção e sua interpretação, mas não consigo chorar por meus próprios pesares. Eles me parecem desimportantes no final das contas e em bora eu saiba lá no fundo que não são, não derrubo uma lágrima por eles. Meus pesares são sempre racionalizados, busco torna-los bobagens, busco fazê-los parecerem bobos, infantis até, porque preciso continuar, não me permito ter tempo para ter dó de mim mesmo e por mais que chorar não signifique isso, para mim parece que significa.
Não converso sobre minhas pertubações nem com Deus, pois afinal de contas ele as conhece. Não tenho coragem, penso que serei ridicularizado, que meus temores, pavores mesmo, serão vistos como coisas menores e só eu sei a real dimensão que eles tem. Sei que chorar alivia, mas o que fazer com a sensação de alívio depois que ele, (o alivio) de fato vem? Eu não sei ser leve, mas gostaria de aprender.
Perco pessoas o tempo todo, destruo pontes, construo muros com meu jeito de ser. Não se chorar mudaria isso afinal de contas, mas sei que as vezes, como agora, sem motivo aparente, me lembro de quem fui e de quem sou e temo por quem posso me tornar. Eu me vejo no espelho e percebo que jamais tirarei a barba que a anos permanece em minha face. Ela me esconde de mim.
A vida tem que seguir, a vontade de chorar tem que ser engolida o mundo não quer saber de minhas lágrimas e isso não é pessoal. O mundo não quer saber das lágrimas de ninguém. Lágrimas devem ser derrubadas somente na chuva, para com ela se confundir. Eu e essa minha vontade patética vontade de chorar. Pra que? Afinal de contas?
É isso.
Ouvindo: Felipe Valente
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