Não Me Chame de Chefe
Me tornei coordenador geral de vendas da House Imobiliária para qual trabalho. Que alegria e que orgulho. Só não esperava o efeito colateral de ser chamado de chefe. Meu nome é Davi Miranda Rocha. Chefe, nem de mim mesmo, quanto mais de quem quer que seja.
Claro que sei identificar muito rapidamente, na verdade de forma instantânea quem se refere a mim com este termo de forma jocosa, irônica e realmente desses eu dou risada. Mas alguns realmente me chamam de chefe por achar que é assim que devem fazer. Não devem! Não sou chefe de ninguém porque preso antes de mais nada o bom senso das pessoas em fazerem o que precisa ser feito sem que haja necessidade de uma imposição.
Acredito em liderança. Acho que ela, a liderança, se sobrepõe naturalmente. E não, não sou um líder ainda. Tenho muito o que aprender, muito o que caminhar pois não nasci com o dom que alguns tem de liderar naturalmente mas acredito piamente que a liderança pode ser desenvolvida por quem quer que seja desde de que se queira desenvolve-la.
Tenho total consciência de minha veia ditatorial. Para mim é muito mais fácil impor que algo seja feito e pronto. Afinal, geralmente estou com a razão. Ou acho que estou. Na verdade raramente tenho razão em algo e por este motivo principal ser um ditador esta fora de questão. Agir de forma impositiva e estar errado não é nada mais que patético e não estou afim de ser um ser patético. Ao menos não muito. Então, buscar uma forma de liderança compartilhada me parece fazer muito mais sentido neste momento.
No meu mercado tudo muda muito rápido. O que é hoje certeza absoluta é amanhã a dúvida mais razoável que pode existir então, não me iludo. Curto o momento fazendo o que mais gosto de fazer: Vendas, muitas delas, quantidades pantagruélicas delas. Se não for assim, nem me interessa. E embora saiba que não depende só de mim, farei o que de mim depender e se precisar farei o que precisa ser feito por outros também. Tudo o que for preciso será feito. Sem descanso, sem medo, sem vacilo.
Um momento muito feliz de minha vida esta se passando. Minha vontade quando recebi a notícia foi subir na mesa de reunião que usamos e fazer a dancinha do Coringa, aquela do banheiro, mas certamente o que me foi dado, seria retirado no mesmo momento. Mas por dentro, todos os dias ao acordar faço a tal dancinha. Afinal, sou Miranda, o Corretor, mas sob determinadas circunstâncias, poderia muito bem ser Arthur, o Coringa. Só não me chame de chefe.
É isso.
Ouvindo: Heritage Singers
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