Something. Por Frank Sinatra e Pelos Beatles



Vamos começar com a versão dos Beatles, afinal a música é de autoria de George Harrison. Something foi o único single não composto por Paul ou Lennon e chegou ao primeiro lugar da Billboard. é para mim, (e para o próprio Sinatra), uma das canções de amor mais bem escritas e mais belas também.  A versão dos Beatles é essa:


A música, apesar de ter sido composta por um adulto, tem um arranjo quase adolescente. Os vocais são sensíveis, macios, não tem um traço sequer de força, usam exatamente o tom de voz que um homem apaixonado usaria para falar com sua amada na fase da conquista. Existe claramente a intensão de mostrar que eles tem um mundo todo pela frente e uma vida toda a viver. Esperança é o que se encontra neste arranjo juntamente com uma paleta totalmente baseada em tons pastéis, que aceitará mudanças em suas cores e formatos com o passar dos anos exatamente como os relacionamentos as sofrem.

O Contrabaixo contido, a Guitarra discreta, os demais instrumentos em sincronia com estes dois, tudo denota uma leveza, uma declaração de amor de fato. O clipe então, transborda paixão. Para corações realmente apaixonados.

Falemos agora, de Sinatra, mas antes vamos ouvi-lo.


Sinatra é agridoce por assim dizer. Sua voz adulta, madura, vivendo a plenitude de um interprete que não precisa se provar traz uma seriedade oposta a interpretação quase juvenil do Fab4. Seu arranjo embebido em Violinos magistrais e até uma Harpa classuda e virtuosa, embala a interpretação de um homem já calejado pela vida e que canta com o sentimento de quem muito já viveu dizendo a sua amada tudo o que precisa dizer só que de forma séria, como se fosse uma conversa, ou melhor um monólogo sentido, apaixonado, dolorido até em alguns momentos em que a voz e os Violinos duelam para ver qual deles é mais emotivo.

A forma com que Sinatra se expressa é antes de mais nada sóbria. Sóbria sem ser dura. Existe sim ternura, mas existe também um lamento por erros passados, por atitudes infelizes que certamente machucaram a relação deste interprete com seu amor. Se os Beatles cantam a esperança de uma relação a se desenvolver, Sinatra canta a admiração por alguém que sobreviveu a uma relação e se sente feliz com isso.

Tanto uma quanto outra são interpretações incríveis, são momentos únicos da música contemporânea, são retratos acabados do que o talento pode fazer. Ambas me emocionam, me lembram do menino que fui e me confirmam o homem que sou. Não dá pra dizer qual das duas é melhor porque ambas são espetaculares sendo necessário apenas curtir a ambas sem moderação.

É isso.

Ouvindo: Beatles/ Sinatra

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