Quando Ouço Ligia e Percebo que Evolui Para o Homem de Luíza
Quando ouço Lígia, agradeço a Tom Jobim. A história do homem ensimesmado, absorto em si mesmo, com tanta dificuldade de expressar o que pensa que acaba negando tudo o que sente de forma peremptória apenas para não ter que explicar. O homem que não gosta de nada mas que se apaixona. E nega. E muitas vezes renega. E caso se entregue, não sabe lidar. Tantas e tantas que eu não quis ter para andar pela praia. Tantas e tantas que as paixões me fizeram preferir que fossem meras ilusões, que rasguei o nome e não olhei para trás.
Não tenho uma Lígia, tenho uma Graziela. Que sou me ler, me envolver em seus braços serenos e me fez render aos seus olhos morenos, brejeiros como poucos, lindos como nenhum outro, faceiros, certeiros, apaixonantes e que me fazem cantarolar outra de Tom, Luísa, porque Luísa conta uma história de amor como nenhuma outra. A história de um pobre amador, apaixonado, e olha que lindo, aprendiz do amor, não de Luísa, mas de Graziela.
Alguém que fez o meu desejo ser sempre o seu desejo, o desejo dela, sempre melhor e mais sensato que o meu. Que me faz querer comprar um brilhante para que ele exploda em sete cores, ou em quem sabe em sete mil cores. Ou mais. Alguém que me faz olhar para a Lua como um trovador, não como um astronauta. Astronautas querem conquistar a lua, eu quero me enamorar dela por me lembrar de Graziela, a minha Luísa, que um dia foi Lígia, mas me mostrou que o homem que vivia como o pobre diabo retrato em Lígia, precisa evoluir para o loucamente apaixonado que vive nas notas de Luísa e que agora e para sempre ama sua Graziela.
Tom e sua música genial, me fez mergulhar nos meus mais íntimos e inescrutáveis até para mim mesmo sentimentos. E quando eu voltei a tona, percebi o amor no coração que não cabe no peito, precisa ser expresso, precisa ser vivido, precisa ser cantado. Há se competência eu tivesse para compor uma canção chamada Graziela... E pudesse contar a transição de alguém que não sabia amar e se feria e feria a outros, para alguém que tem hoje ama, ainda que seja todo som e fúria e a minha fúria me faça ser uma fera besta, jamais uma besta fera, ainda sim, encontro a calma ao pensar nos olhos morenos de Graziela, que foi Lígia, hoje é Luíza, mas é minha menina de olhos morenos e gentis, minha Graziela.
Ouvindo: Tom Jobim
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