Mel, (Minha Gata), Não Sabe Que Vamos Celebrar o Ano Novo

 


Mel, a faceira gatinha da foto não sabe que daqui a algumas horas vamos comemorr mais um ano novo. Na verdade, Mel não sabe algumas coisas que eu como ser humano acho que seria importante ela saber. Ela não sabe por exemplo que é uma gata. Sabe menos ainda que não tem uma raça definida. Ela não tem a menor idéia de que a cada 15 dias compro um pacote de ração para ela e também um pacote de areia biodegradável para que ela possa confortavelmente  fazer suas necessidades. Mel gosta mesmo é de dormir e comer além é claro de fazer suas necessidades. O conceito de ano novo para ela não diz nada. Absolutamente nada.

A medida que o tempo passa em minha vida, busco me libertar cada vez mais de conceitos engessados que fazem a vida perpetuar-se em clichês cada vez mais vazios que falam de recomeços, mas nunca de continuidade. Todo ano falamos em recomeçar, seja a dieta, seja em dar novos rumos a vida, seja em buscar o novo. Mas será que nunca achamos um "novo" que nos permita apenas continuar daquele ponto? Nosso corpo nunca estará bom o suficiente? Nossa vida nunca estará aprumada e apontando para um futuro que vai requerer apenas a manutenção do curso sem o tal recomeço?

Neste ponto parabenizo a Mel. Ela não quer recomeçar, quer apenas viver. Estará ela errada? Sim, eu reconheço que sem a inquietude humana estaríamos ainda escrevendo textos em maquinas de datilografar e os replicando em mimiógrafos. A inquietude, o querer mais, a busca incessante pelo novo é o que nos impulsiona de fato. Mas penso que uma coisa é desbravar novas tecnologias, novas maneiras de vivermos, maneiras que nos tragam conforto, prosperidade, enfim, que nos façam bem. Mas a inquietude  que nos impulsiona a um futuro mais tecnológico, próspero, tem que necessáriamente mexer com nossas emoções, com nosso cotidiano? Não podemos ser ser menos ansiosos quanto a nós mesmos e nossas expectativas?

Para meu ano novo, não quero expectativas. Não quero viajar e ter que ser aprovado pelas redes (anti)sociais com fotos que mostrem o quanto estou feliz (e gastando) no destino escolhido. Não quero trocar o meu carro movido pelo sentimento de aprovação do outro. Ninguém é uma ilha, isso é óbvio, mas viver sendo o tempo todo aprovado como o melhor corretor, o que tem o carro mais bacana e o que vai para os lugares mais descolados não farão parte do meu ano novo.

Como Mel, passarei para 2021 da forma mais natural possível, sem cobranças, sem ter que parecer quem não sou, sem ter que mostrar a todos que estou confortável com a imagem que as pessoas tem de mim mesmo porque afinal a minha imagem tem que agradar a eu mesmo antes de mais nada.

Claro que desejo a todos que lêem este espaço um ano novo muito feliz e repleto de alegria. Desejo a paz, o amor e tudo o que for de realmente bom. E que nunca falte a comida, o sono e um lugar confortável para as necessidades que todos temos após comer e dormir. Mel esta ao meu lado agora, acho que quer comida, sei lá. Vou atendê-la. Feliz ano novo a todos!

É isso.

Ouvindo: A Trilha sonosda de A.I 

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