O Céu Da Meia Noite. Um Pós Apocalipse Poético
O Céu Da Meia Noite é daquelas ficções cientificas que funcionam como vetores de reflexão. No caso especificio deste filme, de reflexões profundas, de perguntas que mexem com a nossa capacidade de pensar e aprofundar-se no pensamento proposto. É antes de mais nada uma linda poesia em forma de filme que através de imagens grandiosas e diálogos economicos nos direciona em uma viagem interior em que sentimentos afloram questionamentos emergem em grande velocidade e sobretudo ao olharmos para o mundo que vivemos hoje, podemos imaginar que 2049, ano que se passa a ação é exatamente um decalque do que vivemos hoje ampliando a nossa desesperança e ao mesmo tempo nos chamando a luta para uma mudança de postura e abandono da passividade que permeia o ser humano quando o assunto são as mudanças climáticas que estão aos poucos destruindo nosso planeta.
George Clooney quebrou paradigmas importantes ao filmar sua linda obra que embora seja pós apocaliptica, é permeada de poesia e encanto. Temos ali um comandante de aeronave espacial com raizes Africanas. Temos uma astronauta grávida (a atriz Felicity Jones engravidou no inicio das filmagens e a gravidez foi encorporada a história, ponto para Clooney que não a demitiu, antes foi elegante e inteligente). Temos um roteiro crível e factível, que embora se passa no futuro, tem total conexão com o nosso presente. A direção segura e livre de maneirismos desnecessários de Clooney deixam o filme crível ante a ciência embotra a arte esteja acima dela por se tratar de um filme e concessões sejam necessárias.
Me encanta acima de tudo a leitura sagaz que Clooney teve do roteiro que por si só já é extremamente emocionante sem a necessidade de cenas conduzidas para que lágrimas rolem. Elas rolam, é inevitável, mas apenas porque os atores, todos, sem excessão entregam interpretações tão verdadeiras e tão emocionais, que é impossível não se conectar com cada um deles e os dilemas e histórias por trás de cada um embora o roteiro não entregue mais informações que o estritamente necessário para que se tenha um ponto de partida sobre quem são cada um deles e a partir dai o espectador é convidado a construir o background acerca de cada um.
A história, gira em torno de Augustine, um cientista brilhante e como todo ser brilhante de difícil convivência com outros seres humanos. Ele descobre uma Lua a orbitar um planeta em nossa galáxia (assista o filme e saberá qual), que pode abrigar vida. Uma pequena colonia se estabelece lá e juntamente quando do retorno de uma nave espacial um evento apocalíptico destrói qualquer chance de vida na Terra. Augustine esta no Ártico, em uma base, flagrado já bem mais velho e tendo que se submeter a sessões diárias de hemodiálise, ele tenta contato com a nave para alerta-los a não voltar e a nave tenta contato com a Terra, para avisar que esta voltando.
A partir deste premissa se misturam diálogos simples, as vezes duros com imagens magníficas, grandiosas, e sobretudo as atuações lineares e fantásticas de cada um dos personagens. O Céu da meia noite é um filme para apaixonados por ficção científica como eu mas também pode agradar aos estetas visuais. Clooney nos entregou um repsente de Natal fabuloso, forte candidato ao Oscar em minha opinião de Filme, Direção e Atriz Coadjuvante para Caoilinn Springall que diz apenas uma frase em todo o filme e encanta apenas com seu gestual e seu olhar denso, marcante e ao mesmo tempo doce, terno.
A poesia esta viva mesmo em tempos de Pandêmia. Vale lembrar que o filme foi filmado antes da Covid-19 mas lançado agora é um alerta e ao mesmo tempo um alívio. A Netflix aos poucos vai se tornando relevante na produção de bons filmes e bobagens como "O Poço" vão ficando para trás. Ainda bem!
É isso.
Ouvindo A.I Love Theme

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