Ponto De Conexão (Entre Eu, Minha Mãe e Meu Avô)
Tenho um blog porque minha mãe tinha um diário. Daqueles escritos em um caderno bonitinho, com letra redonda e capricho. Uma vez, quando eu tinha mais ou menos 10 anos, descobri o diário dela. Li algumas coisas mas ficou evidente que não deveria ler os segredos do coração da minha mãe e o coloquei de volta onde tinha achado, porém a ideia de relatar o meu dia a dia me pegou de jeito e comecei então a escrever meu prórpio diário. O blog foi uma evolução natural e cá estou eu.
Eu e minha mãe temos maneiras completamente distintas de escrever. Ela era economica no uso das palavras e até por este motivo tinha um estilo bastante incisivo de colocar suas idéias no papel. Jamais usaria 38 palavras onde 12 bastassem. Eu, ao contrário, uso 397 palavras onde bastariam 40 e tenho um estilo confuso cheio de idas e vindas que requer atenção do leitor ou ele não entenderá coisa alguma. Mesmo ele tendo atenção fica difícil, pois sou absolutamente caótico tanto para conceber minhas idéias, quanto para materializa-las.
Escrever sempre foi um ponto de conexão entre eu e minha mãe e ontem descobrir que também é um ponto de conexão entre eu e o Sr Miranda, meu venerado avô. Conversando com minha Tia, descobri que o Sr Miranda gostava muito de escrever e para meu grande espanto, era um repentista. Ter um avô repentista é algo que afaga o meu coração e me conecta com minhas raízes, ainda mais sendo ele pai da minha mãe, já que o pai do meu pai, que nem sei quem é, pode ter sido um gangster, um chato empedernido, um boboca qualquer, afinal. Meu avô Miranda era um repentista que escrevia belas palavras que infelizmente jamais lerei pois como as folhas que caem das mais altas e belas árvores, não foram recolhidas e voaram na direção do vento rumo ao Sol.
Acho que meu avô gostaria de algumas das coisas que escrevo, não muitas, pois a maioria nem eu mesmo gosto e ao contrário, lástimo ter publicado neste blog de mal traçadas linhas, mas confesso que alguns poucos posts me fazem ter orgulho de te-los escritos.
Fiquei feliz ao poder traçar este ponto de conexão com meu passado e ele ter ido além de minha mãe e chegado em meu avô. Escrever me mantém vivo ainda que não tenha o talento que gostaria de ter mas saber que isso vem de um traço comum em minha família me fez sentirmuito mais ligado a todos que dela fazem parte. A vida sempre nos surpreende seja com grandes acontecimentos, seja com pequenas informações que nos são passadas. A beleza da vida esta em seus mistérios que sao revelados nem antes, nem depois, mas no momento em que devem ser.
É isso
Ouvindo: Emicida
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