Vikings
Se Vikings tivesse escritores que dessem um tratamento ao roteiro realmente bom, que o tornasse além de crível e crível aqui não tem nada haver com parear a série com fatos históricos, mas sim tornar a parte ficcional muito mais palatável do que é, poderia ser simplesmente uma das melhores séries da história da televisão. O problema é que o roteiro certmente é escrito por crianças escandinavas de no máximo 10 anos, que conhecem de suas narrativas de gerações passadas mas obviamente não as sabem desenvolver de uma forma totalmente cativante. Seja quem for que escreve Vikings, não consegue fazê-lo de forma tão arebatadora quanto suas cenas de ação e muitas vezes resvala em uma narrativa pouco mais que chinfrim.
Falta sobretudo em Vikings um aprofundamento da personalidade de cada um dos personagens. Eles são puro instinto e embora eu possa até concordar que um povo como os Vikings devesse ser realmente muito instintivo, lhes faltam motivações claras, estratégias bem conduzidas e lhes sobram força física e massa bruta. Faltam momentos de leveza, alívios cômicos naturais a todas as séries e diálogos mais bem estruturados. Sombram violência e rituais religiosos dos mais impressionantes e isso seria bom se não fosse tão mal explorado.
O embate entre os cristãos e sua estrita crença em um Deus punitivo e pouco aberto ao diálogo e os pagãos e seus rituais completamente encharcados de sangue e sacrificos sejam de animais, sejam humanos, propõe que se vejam ambas as vertentes apenas pelo que de mais chocante e mesmo desprezível elas tenham para mostrar. Não existe a concessão de falar-se em uma religião seja de um lado ou de outro que tenha a tolerância, o amor ou a união como temas centrais. A violência permeia cada minuto de cada episódio da série e não existe respiro.
Entendo que quem assista este tipo de série espere exatamente isso, uma violência coreografada e sem muitas nuances, que vá direito ao ponto, ao centro da dor e que tenha esguichos de sangue generosos, porém creio que talvez fosse interessante mostrar um lado mais humano tanto de cristãos como de pagãos, ir além da sede de sangue e poder e falar sobre motivações, sobre os homens e mulheres por trás dos personagens, buscar uma empatia maior com quem assiste.
Curiosamente o único personagem a conseguir tal empatia é Floki. No entanto apenas pessoas emocionalmente perturbadas (e eume incluo, é claro) podem se conectar com ele. Floki não é linear e muito menos um esteta da violência. Ele a pratica e de certa forma a cultua porque foi neste contexto em que foi criado, mas a sua verdadeira vibe é vibe dos sonhos, do que não é tangível, do questionamento e não da obediência. Floki é entre todos o mais humano e aceita suas inseguranças, seus medos como algo natural dele, como parte da vida. Não se esconde atrás de uma carapuça e sempre transita sendo exatasmente quem é.
Tudo o que foi dito sobre Floki advém de uma excelente contrução de seu personagem pelo roteiro. As camadas que seu peronagem tem são propostas de forma única na série e desconfio que ele tem alguém especifico para lhe escrever as cenas pois em nada ele lembra as pessoas rasas das quais esta cercado.
Vikings não deixa de ser uma série que vale a pena ser vista, de forma alguma é isso que digo, mas poderia se tornar memorável se fosse escrita de forma diferente, como um retrato ampliado de um povo muito mais complexo do que a série faz imaginar que ele fosse. Na força de Vikings que reside em sua violência tanto visual como sugerida reside sua maior fraqueza que é justamente ter apenas isso, violência para oferecer. Para quem gosta, como eu gosto, é um prato cheio!
É isso
Ouvindo: Metallica
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