Cadeiras Antigas, Novas Cadeiras

 

Estes tempos, loucos tempos em que vivemos, onde um vírus dizima milhares de pessoas de uma forma implacável e muitos se recusam a acreditar na letalidade que ele carrega ou simplesmente desdenham o poder destrutivo de um inimigo que não se vê, pode nos levar a reflexões que talvez em outro momento não seríamos instados a produzir.

A dor de perder um ente querido seja um filho, um pai, mãe ou mesmo amigo próximo (a Biblia diz que existem amigos que são mais achegados que um irmão) é uma dor absolutamente incomparável a qualquer outra que se tenha e não existe receita de bolo capz de dizer como ela deve ser absorvida e vivida. é uma dor que se vive de forma solitária, esperando que um dia ela passe, que ao acordar o nó na garganta não venha incomodar e o aperto no coração tenha ido embora. E embora isso nunca aconteça de fato, ansiamos, aqueles que perderam seus entes amados, que ao menos essas sensações terríveis se amenizem.

Deus, para quem nele crê, juntamente com a figura intercessora de seu filho Jesus e a figura consoladora do Espirito Santo tem papel fundamental para aqueles que vivem uma vida de fé e piedade cirstã. O contato com Deus através das orações feitas em nome de Jesus e o sentimento constante de ser consolado por seu Santo Espirito trazem paz, segurança e um sentimento de que sim, é possível prosseguir a caminhada neste mundo tão estranho em que vivemos.

Crer em Deus para muito esta intimamente ligado a frequência a uma igreja. O sentimento de pertencimento a uma comunidade, o contato com pessoas que pensam de forma senão identica, muito parecida com a que a própria pessoa pensa, traz tranquilidade, acolhimento, cria raízes sólidas e mostra que viver de forma comunitária traz muito mais benificios do que se possa imaginar.

Mas e quando isso se quebra? E quando quem morre não é um ente querido, mas aquele lugar a qual se pertencia? Quando as portas do salão se fecham, as cadeiras, o púlpito, os utencílios para Santa Ceia, tudo, tudo o que construia a sensação de se estar em lugar sagrado, na casa de Deus, se esvai de uma hora para outra, o que resta? Quando ao passar por aquele endereço se vê outra placa de igreja ou pior, ver que virou qualquer outro comércio ou simplesmente esta trancada, o madeiramento do teto sendo carcomido pela falta de manuntenção, o piso aos poucos criando limo porque as irmãs tão zelosas que sempre existem nestes lugares já nõ vão mais para lá fazer a limpeza semanal. O que resta quando tudo o que se tem daquele que foi o seu lar espiritual por tanto tempo se reume a uma imagem em um celular?


Sim, Deus continua a viver nos corações daqueles que o amam e adoram. Sim, a sua casa deve ser um templo, o seu carro deve ser um templo assim como seu escritório, idem. Mas a igreja, a igreja é onde tudo acontece, Onde somos família e como família vivemos bons momentos, maus momentos também, amamos, brigamos, nos reconciliamos. A igreja é um microcosmo do imenso cosmo no qual vivemos. Ali firmamos amizades que vão para a vida, nossas feridas são saradas quando um sábio Pastor traz não uma simples mensagem, mas aquela mensagem que precisamos ouvir e toca nosso caoração e nos leva perto do Eterno e voltamos para casa revigorados. 

E quando "juntamos panelas"? Ali a igreja é mais igreja ainda, as pessoas se soltam, dividem experiências, riem, choram cozinham umas para as outras, servem e são servidos. E na Santa Ceia,somos servidos do corpo e do sangue de Cristo, que veio dar a vida por nós e nos lembramos. E celebramos. E cantamos do seu amor. E somos fortalecidos por esta lembrança até que a próxima Santa Ceia chegue. 

Casamentos. Vidas que se unem sobre as bençãos de Deus em sua casa. Felicidade transbordando em cada sorriso cúmplice que os noivos trocam enquanto palavras que eles nem devem ouvir de tão emocionados são ditas pelo oficiante. As vezes festas, as vezes não mas sempre amor, sempre votos de eterna felicidade. 

Quando uma igreja fecha e o que fica são apenas lembranças e é hora de procurar outra igreja para se ir, para se ter novamente um senso de familia e pertencimento e tudo o que resta é a lembrança destes bancos em série onde tantas vezes nos sentamos e ajoelhamos em súplicas tão emocionais quanto verdadeiras e racionais, muitas vezes pedindo por nós, tantas outras pedindo por quem amamos, clamando por milagres, chorando com o coração transbordante de dor em busca de alívio, do alivío que só Deus nos concede. 

Como entrar em outra casa que também é Dele mas não se parece com a nossa? Apenas com o poder de Sua graça, apenas com o conforto que Ele nos dá, apenas com o entendimento que tudo, tudo na vida, sejam pessoas, sejam instituições, tudo tem o seu ciclo e eles acabam em algum momento. A igreja, aquela igrejinha amada, em que íamos vira um supermercado, vira um escritório de contabilidade, vira outra igreja, com linhas de pensamento que diferem da que temos, fica fechada o resto da existência. O ciclo acabou, é hora de recomeçar outro.

Bancos de uma igreja que simbolizam o que ela foi um dia. Um lugar de fé, um lugar de acolhimento. Talvez cumpram esta mesma função em outra igreja, talvez sejam vendidos para uma empresa e fiquem na sala de espera da mesma. Talvez o tempo venha a corroer a base e os estofados e eles fiquem imprestáveis para o que quer que seja. A vida é feita muitas vezes de imensas interrogações e muitos momentos de "talvez" mas uma coisa é certa: Quando um ciclo se fecha, é hora de começar outro. Timidamente a princípio, cantando baixinho os louvores, sentando nos últimos bancos do novo endereçõ de adoração, chegando em cima da hora do ínicio do culto e saindo logo que ele acaba e quando menos se espera, novamente se envolver com as atividades da nova igeja, cantar os louvores de forma derramada, orar de forma firme, abundando os pedidos e súplicas.

Uma igreja se fecha e seus bancos ficam em nossa memória. Uma nova igreja se abre e as imensas oportunidades de convivência estão ali para todos que nela forem congregar. Uma nova igreja é um novo mundo que se abre. Que Deus, em seu infinito amor, nos livre em breve deste vírus, que nossa convivência volte a ser lado a lado  e não cada um de um lado de uma tela que nos separa. Que os almoços em comunidade voltem logo a acontecer, as Santas Ceias, casamentos e tudo o mais. Uma igreja é um lugar de adoração mas também de convivência. Que seus novos bancos sejam tão confortáveis quantos os antigos.

É isso.

Ouvindo: J. Cash

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