R.I.P Agnaldo Timóteo

 

Eu seria um tremendo hipócrita se disesse que Timóteo toca nos meus fones o dia todo, ou mesmo uma  duas ou três vezes por semana. Não, isso não acontece. Mas não reconhecer seu imensurável talento musical seria também hipocrisia. Sua voz potente, límpida, seus arranjos nada economicos, feitos para que sua voz brilhasse de forma inconteste, tudo isso fez com que Tmóteo criasse mais que um simples cantor. Ele era um personagem.

E como personagem, cativou o Brasil com suas canções e com sua história de vida. Mineiro do interior de Minas, foi de motorista da grande diva Angêla Maria  a seu parceiro em duetos memoráveis. Escreveu seu nome no panteão dos interpretes nacionais dignos de nota e digno de admiração. Timóteo não era um desses descartáveis.

Faltou a ele reciclar-se? Sim, faltou. Em determinado momento, Timóteo pode ter soado para muitos ultrapassado, old school, sem graça até, embora para mim, ele sempre tenha sido um clássico, um artista na acepção máxima da palavra, daqueles que tinha total dominio do palco onde estava e do público para o qual se apresentava.

Ainda que tenha se metido em diversas polêmicas como ter enveredado pela política (não há registros de roubalheira de sua parte), nunca perdeu a conexão com seu público, sempre entregando em suas apresentações o melhor que poderia entregar de forma honesta e competente.

Tmóteo foi mais um a sucumbir ante a Covid-19. Cala-se uma das vozes mais importantes da música brasileira vitíma de uma política assassina do mandatário de nosso país, e embora a morte seja algo inevitável em muitos casos, é emblemático que nem uma nota de pesar tenha sido emitida pelo governo brasileiro ante a morte de um dos artístas mais queridos pelo seu povo.

Bolsonaro ignora toda e qualquer expressão de arte por acha-las desncessárias. Fosse a morte de um de seus amigos torturadores do exército, haveria declaração de luto nacional e bandeiras a meio palmo. Triste esse país que vivemos, onde um monstro sagrado como Timóteo morre e o governo se cala. Triste país, triste momento, triste espetáculo que se encerra.

Vá em paz, Timóteo e me desculpe a demora em escever sobre ti.

É isso.

Ouvindo; Agnaldo Timóteo



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