22:53
São 22:53 e neste momento exato comecei a escrever novamente em meu blog. Estou sentado na mesa da minha sala, com meu super fone AKG, ouvindo meu inseparável amigo J. Cash. De todas as músicas de Cash, a que mais gosto de forma indubitável é God's Gonna Cut You Down. A mensagem dela é poderosa demais! Para mim, para você para todos! "Você pode correr por um longo tempo, um longo tempo... Cedo ou tarde, Deus o Reduzirá".
É claro que se você não acredita em Deus, em seu filho Jesus e no Espirito Santo, tanto faz como tanto fez, é só mais uma boa música. Mas para mim, ela fala muito e cala fundo! Por mais que eu fuja desta crença em Deus, ela me abraça, me imobiliza e não crer é impossível para mim. Impossível porque a vida sem Deus me parece tão boba e sem sentido que não crer Nele e no que ele representa me parece absolutamente fora de cogitação falta sentido, falta tudo se Deus não está na equação. Ao menos para mim.
Me identifico demais com Cash. Sempre me idetifiquei e após ler sua biografia, ainda mais me senti como ele. Alguém que embora profundamente devoto não consegue abandonar as coisas que uma vida sem Deus oferece. E como ele, Cash deixa transparecer, a culpa não me assola, não me envolve. Não me sinto o pior dos homens, me sinto apenas desapontando a Deus e seus planos para mim. Mas culpado, jamais. Afinal a escolha é minha e escolher e ser culpado é algo para mim, estúpido. Melhor ter escolhido a outra opção.
São 23:03 e tem tanto que eu queria falar... Mas acontece que as vezes me faltam as palavras. Nas verdade quase sempre elas me escapam. Muito raramente consigo escrever um texto com o minimo de coerência, interessante, que valha a leitura. Mas as idéias estão todas aqui. Ficam quicando de um lado para o outro dentro da minha cabeça. A única coisa que consigo pensar é que por mais eu corra, por mais que eu faça, por mais que eu fuja, Deus, em algum momento me reduzirá e por mais que isso seja certo, que isso seja algo real em meu futuro, a culpa não me atinge. Apenas um travo de resignação me percorre, porque sei que vou em algum momento ver o resultado de uma vida dissoluta e quando uso dissoluta, não é apenas o sentido pervertido ou depravado da palavra mas no sentido de ter aberto mão de uma vida dedicada a correção, a busca por comunhão.
Eu acho que ainda sim, as 23:08, posso me declarar uma pessoa do bem. Posso olhar para dentro de mim e ver que existe compaixão, senso de justiça, amor e outros bons sentimentos. Todos eles no entanto são uma forma de perspegar a mim mesmo, afimações falsas de uma bondade que talvez nem exista mas que eu insisto em querer imputar a mim mesmo. Minha ex sogra, dona Jeanete, sábia mulher, dizia que elogio em boca própria é vitupério e talvez eu tenha a capacidade de vituperar muito acima da média das pessoas e talvez uma visão oblíqua, ardilosa de mim mesmo, engane meus próprios sentidos me fazendo ver a mim mesmo como alguém muito melhor que sou.
E então, as 23:16, eu tenha que me render a verdade nua e crua que não importa o quanto eu corra, não importa o que eu faça, não importa o que se passe em minha perturbada mente e o quanto ela pregue peças em mim mesmo tentando me fazer ver e sentir o que não sou, cedo ou tarde Deus me reduzirá. Não é um sentimento bom, não é um sentimento que me agrade, afinal, ser reduzido por Deus... É evidentente uma frase que dispensa maiores considrações e uma imagem não muito agradável de se imaginar.
Cedo ou tarde Deus reduzirá a todos de uma forma ou de outra. A mim, creio estar reservado uma forma que certamente não me agradará, mas desde agora a resignação me habita. Sei o que me espera e por mais que tente desenvolver um lado racional que busca colocar a Deus sob uma perspectiva de dúvida, de inquietação ao aceitar que o sobrenatural Dele é nada mais que uma realide inescapável em minha vida, sei bem que é assim, reduzido, que terminarei meus dias e a eternidade, esse belo conceito tão real dentro de meus pensamentos, não é para mim,
Cedo ou tarde, Ele me reduzirá. São 23:23.
É isso.
Ouvindo: J. Cash
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