É Como Se Vivessemos Dentro do Universo de Blade Runner

 

Blade Runner foi um fracasso avassalador por ocasião de seu lançamento. Custou 26 milhões de dinheiros americanos e arrecadou 32 milhões desse mesmo dinheiro na terra do Tio Sam, ou seja, pífio. Não poderia se esperar outra coisa, o filme é simplesmente magnifício, colossal, com atuações fantásticas, direção fabulosa e  uma trilha sonora... Há! Que trilha sonora! Densa, comovente, dura em alguns momentos mas precisa, emoldura o filme de uma forma tão definitiva que na minha opinião é a melhor trilha sonora já escrita para um filme de ficção (embora a trilha de A.I seja igualmente poderosa).

Lançado em 1982, o filme se passa em uma Terra arrasada com uma cnuva ácida que cai dioturnamente e onde os ricos já foram morar em outros planetas a muito tempo. O ano, é 2019.  O personagem de Harrison Ford (para mim em sua melhor atuação até hoje) nem sabe se ele mesmo é um Replicante e vaga pelo que restou de nosso planeta caçando a estes seres que são praticamente humanos tirando o fato de que são robos que "aprenderam" a ter sentimentos.

Deckard, o personagem de Ford passa o filme os caçando e convivendo com suas angustias e medos. Quando vi o filme pela primeira vez fiquei em choque e tinha apenas 14 anos. Nunca o esqueci e todas as 7 versões imbecis que foram lançadas após o corte para o cinema eu consegui assistir também. Blade Runner é um caso mal resolvido e desconsidere, eu imploro, desconsidere 2049, a tentativa malfadada de fazer uma continuação digna. Ela é digna, de ser jogada na lata de lixo da história.

Corte para a realidade. Faz mais de uma semana que acordo todos os dias as 5:00 da manhã com o mesmo pensamento. Não é por volta das 5 é exatamente as 5! O mesmo pensamento me invade neste horário e o que penso é sobre a tranasformação da humanidade. Percebo que a ironia é que os replicantes que tinham uma vida decidida ainda em sua fabricação, amavam tanto estarem vivos que fariam o que fosse preciso para continuarem assim. Os seres humanos hoje, me parecem pouco se importar tanto com suas vidas como principalmente com a do próximo.

Esqueça política, não é disso que se trata. Estou falando de nosso comportamento auto destrutivo. De nossas memórias que parecem se esvanecer como lágrimas que se perdem na chuva nos fazendo ficar cada dia menos empáticos, menos propícios a ter alguém a quem realmente amar e se importar. A cada dia que passa, nos importamos mais e mais com nossos próprios problemas, nossas ambições com nossas conquistas e as frustrações quando não as alcançamos. Os Replicantes de Blade Runner já nasciam programados para morrer em determinada data, nós. apesar de sabermos que vamos morrer, não temos idéia de quando e talvez isso nos angustie (a mim ao menos sim) tanto quanto aos Replicantes.

Fossemos replicantes não nos preocuparíamos com vírus ou nenhuma outra doença mas nos equilibraríamos sobre uma finitude certa que seria o centro de nossos pensamentos e mesmo de nossa vida. Ao não saber a data de nossa morte, podemos as vezes julgar que somos imortais, ainda que seja um pensando absolutamente sem sentido. Mar o que realmente me assusta qundo penso em tudo isso é  que quem me persegue não é um caçador de Andróides como Deckard e sim a minha própria consciência. É ela que grita todo dia comigo querendo que eu seja melhor, seja mais são, mais empático, pense mais nas outras pessoas. É a minha consciência que não me deixa ter meus pensamentos se esvaindo como as lágrimas se esvaem com a chuva sem que ninguém perceba.

Os Replicantes não a tinham, pois a consciência é uma exclusividade de nós seres humanos, mas desenvolveram o amor e mesmo que sem freios tentanvam pratica-lo (embora esta seja uma percepç~so muito particular minha do filme). Estamos involuindo e sinto que vivo em um mundo cada vez menos afeito a ouvir os gritos da consciência individual e menos ainda disposto a construir uma consciência coletiva. O mundo se perde, em meio a uma Pandemia e logo mudanças climáticas irão perturbar a Terra ainda mais. Não duvido que uma chuva ácida caia de forma intermitente em breve e que os mais ricos se mandem para estações espaciais para se livrar deste barulho.

Blade Runner e sua mitologia é o futuro que está logo ali, virando a esquina. E este pensamento tem me acordado todos os dias as 5:00 da manhã.

É  isso

Ouvindo: A trilha sonora de Blade Runner

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