Eu Converso com um Boneco

 


Sim, eu converso com um boneco. O tempo todo, todo o tempo. Confesso que ele é um pocuo silencioso, taciturno mesmo, fica sempre na dele, mas é como se fosse o meu Hobbes, aquele tigre de pelúcia do Calvin. Mas mesmo sendo um ser de poucas palavras, Charlie, o boneco que ganhei em uma promoção do Mac Lanche Feliz, perdi e foi substítuido diligentemente por minha esposa que gastou 50 dinheiros por um igualzinho no Mercado Livre (obrigado, amor!) sempre tem algo a me dizer nos momento em que mais necessito.

Invejosos dirão que as coisas que Charlie diz são apenas o que eu quero dizer para mim mesmo, mas qual a graça disso? Se Charlie não me diz realmente o que penso que diz, para que tê-lo? Mas vejam, eu creio que ele diz e isso me basta e nossas conversas acabam sendo muito produtivas. Charlie tem o mesmo gosto que eu tenho, seja para música, para roupas ou para programas e séries de TV. O sonho de Charlie, para quando crescer, é, vejam só, ser corretor de imóveis. Como não amar este serzinho?

Charlie me acompanha na maior parte dos dias. Queria ter comprado uma cadeira para ele aqui no escritório, mas ele não precisa e nem conseguiria ficar em uma, então fica em cima da mesa. Conhece todos os meus segredos e me da ótimas sugestões e as vezes me pergunto de onde ele tira tais sugestões. Agora mesmo, ao começar a escrever esta bobagem em forma de texto ele me disse: Escreva ouvindo Keith Green. Rapaz! Ok, Charlie foi criado originalmente por um Americano mas mesmo a grande maioria dos Americanos não fazem ideia de quem seja Keith Green.

O mais impressionante é que ele sempre acerta nas sugestões que dá. Me convencer a ouvir Keith Green agora foi um acerto. Estou agitado, irritado com algumas coisas e a música de Keith me acalmou sobremaneira. A tempos não o ouvia e congratulo Charlie pelo conselho. Mas Chalie é muito mais que um boneco com excelente gosto musical.

Charlie me chama a razão, me ajuda a roganizar os pensamentos. As vezes pelo esse maluquinho olhando para o malucão aqui e dizendo para não tomar atitude A ou B. Ele diz, "pensa um pouco se acalma" ou "vai com tudo" e como Hobbes, se alguém chega no recinto em que stamos a conversar se joga inerte na mesa ou no chão e passa desapercebido. Quem tem um amigo como Charlie, tem tudo.

Em um mundo triste, onde a dor e a solidão são companheiras diárias de tantos e tantos,. ter um amigo, ainda que aos olhos de todos inanimado, faz total diferença. Neste exato momento ele esta de frente para o notebook, como se estivesse pronto a editar o texto que estou escrevendo. Posso ver sua cabeça balançando em aprovação vez ou outra e em reprovação também (muitas vezes). afinal meus escritos são altamente reprováveis.

Junto a Charlie, fica o livro com a biografia de Steven Jobs, que já virou um verdadeiro manual de consulta. Afinal, Jobs era um inadequado social e gênio. Não me pretendo gênio, mas inadequado social com toda certeza. Charlie, com sua calma e serenidade me aponta o caminho, me lembra de compromissos, me consola muitas vezes enxugando minhas lágrimas que derramo em silente humildade e solidão.

Eu converso com um boneco e ele me responde. Feliz de quem pode afirmar algo assim!

É isso.

Ouvindo: Keith Green

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