Rir é Um Ato De Resistência (Paulo Gustavo)

 

Confesso que quando vi este frase a achei vazia, achei até que não passava de uma frase feita para impactar, para mostrar o quanto a pessoa que a falava era legal e tals. Agora, pronto para ir embora, na verdade estava desligando meu notebook quando me veio esta frase a mente e seu significado (ao menos o que eu entendi finalmente depois de pensar nela por algum tempo). E o que eu entendi, foi isso:

Vivemos em um mundo cada vez mais facista, sem espaço para o riso, para a piada inteligente, provocativa, sem espaço para quem pensa diferente do tiranete de plantão e quando falo em tiranete, não me refiro apenas ao Brasil e sim aos vários espalhados por este mundo que se disfarçam de democratas que jamais serão. Pensar diferente, agir de forma diferente, enfim, ter um comportamento diferente do que este pessoal considera correto é quase um crime e se não é ainda crime, aqui no Brasil ao menos, falta pouco para ser.

Cada vez menos temos liberdade de pensar de forma livre e de expressar o pensamento que se tem sem que alguém ligado ao poder tente te censurar, tente reduzir sua idéia a pouco mais que um crime, já que ela vai contra o que se pensa no topo da cadeira de poder. Os tolos tentam te ironizar, tentam fazer troça mas são tão sem graça e tão sem vida que não conseguem nem um, nem outro. Quando não conseguem, se irritam e partem para a violência na maioria das vezes. 

Quando um raivoso facista se depara com um homossexual por exemplo, ele quer converte-lo, ele quer mostrar que seu comportamento é errado e danoso a sociedade como um todo. Quando não consegue (e ele nunca consegue porque ser homossexual não tem nada de errado ou danoso), ele rapidamente se junta a outros facistas em xingamentos, impropérios e muitas vezes em agressões físicas totalmente descabidas e que levam o agredido a hospitais, quando não a óbito pura e simplesmente. 

Se um desses seres sem graça se deparam com outros seres minimamente pensantes que não concordam com suas posições politicas o que eles fazem? Pedem apoio aio Exército para que na força suas intenções mais sombrias sejam validadas. Tudo isso sem espaço para uma risada, para uma conversa descontraída pois são pessoas ocupadas demais com seus maus feitos para rirem, para terem o coração limpo e a alma leve que permite o riso em sua plenitude.

Já os que riem. Esses resistem. Resistem a pobreza, resistem a fome, aos desmandos, resistem ao autoritarismo rindo deele da idéia  ridicula de que alguém realmente manda em outro alguém. Riem das imposições criminosas que governos criminosos tentam a todo custo fazer valer mesmo que  elas não tenham o menor cabimento. Os que riem, sabem que nada imposto pode ser duradouro pois na primeira chance os orimidos se vão, fogem das garras dos opressores. Rir é resistência porque resistir nos dias de hoje em nosso país, é o que nos resta. Rir até mesmo das ações sem graça que um abilolado a quem chamamos de Presidente insiste em inflingir ao seu povo sem ao menos se perguntar qual o final disso tudo, onde ele chegará com tamanho desvarios afinal.

Rir é resistir ao caos, é aliviar a dor é ter esperança. Rir é não ter medo do mau, lutar contra ele na verdade, se posicionar. Rir é mandar literalmente as favas tudo que é autoritário, tudo que é arrogante, tudo que é mesquinho, tudo que é (des)governo. Rir, afinal de conta é o que nos resta e isso nao pode ser tirado de nós! Que não riam aqueles que apoiam as trevas, aqueles que querem viver lambendo as botas dos que os oprimem, daqueles que querem que o nosso Brasil tenha um presidente como Putin na Rússia que esta lá a mais ou menos 235 anos, já não se sabe ao certo quanto tempo por tanto tempo que lá esta.

Paulo Gustavo se foi. Um dia triste, um dia nebuloso, sem cor, sem brilho se fez. Mas tenho certeza que ele gostaria que seu público não deixasse a peteca cair. Que pranteasse a sua morte e logo em seguida continuasse rindo, continuasse se fartando de rir e continuasse a ter a postura de resistência que ele mesmo teve durante sua breve vida. Paulo merece todas as nossas homenagens porém a maior que se pode a ele fazer é resistir, é continuar resistindo é dar uma banana a esse governo infeliz e podre responsável por mais de 410.000 mortes. Responsável por não conseguir gerenciar de forma minima uma crise que se mostrou desde o seu início perigosa.

Eu choro por Paulo Gustavo, mas em seguida estarei rindo como ele gostaria que eu estivesse. Eu abomino com todas as minhas forças esses facistas que nos governam e não tem a menor ideia do que estão fazendo além de satisfazerem seus próprios instintos e com isso oprimirem sem medo um povo que cada vez mais não tem para onde correr. Nos resta resistir. Nos resta, o riso.

É isso.

Ouvindo: Ratos de Porão


Comentários

Postagens mais visitadas