Art Popular e a Genialidade do Pagode Dos Anos 2.000

 

Enquanto Netinho de Paula e seu Negritude Júnior distribuiam Danone (digo Pettit Suisse Chambourcy), Anderson e o Molejão saiam varrendo sabe-se lá o que e onde e outras bandas(?) como Soweto, Kantiguele e tantas outras tentavam se sobressair e para isso faziam qualquer coisa como por exemplo participar de pegadinhas do Silvio Santos como fizeram  a banda Karametade e o próprio Katinguele, se metendo em aviões que davam rasantes fingindo cair ou entrando em "prisões" onde os internos se amotinavam, tudo isso claramente em busca de uma exposição absurda e desnecessária, uma entre todas focou em fazer arte. E assim fez. Falo do Art Popular capitaneado por Leandro Lehart.

Embora a discografia completa da banda (é banda que se fala para os pagodeiros?) seja composta de discos bons e alguns excelentes, vou falar de um, que para mim foi o auge, produto de exportação mesmo, que não faria vergonha se apresentado para qualquer produtor sério ao redor do mundo, o Acústico MTV Art Popular. Melhor por exemplo que a chatice avassaladora do projeto acústico dos Paralamas do Sucesso ou o mais do mesmo de Zeca Pagodinho,o acústico do Art Popular não renunciou em momento algum aos cavaquinhos marcados, aquela coisa de pagodeiro que não pode faltar mas foi acrescido de piano muito bem executado, uma poderosa seção de metais, vocais da melhor qualidae e um repertório que além de cobrir a trajetória do grupo trouxe pérolas como essa:


Existe uma delicadeza no arranjo que é um assombro de belo. Além de belo, o aarranjo é inesperado, ficando melhor inclusive (na minha opinião) que a versão de Caetano, que a deixou "sensível" demais, enquanto o arranjo de Lehart (a mente criativa porn trás do grupo, um gênio multi-instrumentista), injetou a malemolência, a pimenta que a música perde sendo que esta mesma pimenta é suavizada pela beleza dos vocais e um teclado tão esperto quanto envolvente ali no fundo brincando com sonoridades até um pouco descoladas do arranjo como um todo. Lehart não estava para brincadeira quando escreveu estes arranjos. mas o melhor, o melhor nem de longe foi esse som. O melhor foi isto aqui:




Quando alguém cria um arranjo tão explosivo e tão dançante quanto este de "Agamamou" e chama o mestre Jorge Benjor para participar da festa o resultado só pode ser genialidsde pura. Os vocais são simplesmente o fino do que se pode escrever o piano me lembra Jerry Lee Lewis, sim, Jerry Lee, se tocasse esta música tocaria assim, dessa forma.

O ano que minha filha nasceu trouxe ao mundo este que é um dos melhores álbuns produzido em Terras Brasilis  e com um cuidado e apuro de uma época que ainda se fazia arte, não meramente produtos! Leandro Lehart elevou o pagode ao nível de arte e merece todos os créditos por ser o diretor musical deste tão importante e fabuloso álbum! A música e os amantes da música brasielra, agradecem, Leandro!

É isso.

Ouvindo: Art Popular


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