Se o Tempo Voltasse. (Eu Não Seria Corretor De Imóveis)
Se o tempo voltasse o que eu faria? Passei a manhã de hoje me perguntando isso e uma coisa eu tenho certeza: Conduziria minha vida para que de uma forma ou de outra meus caminhos e os de Graziela se cruzassem. Isso é fato! Entre erros e acerto, Graziela é minha maior certeza, meu divisor de águas, minha alegria.
Eu teria estudado. Mesmo ainda achando que o sistema educacional cria apenas papagaios e é em si mesmo uma bosta, eu teria tirado um ou dois diplomas. Minha vida seria outra com eles na mão, certamente. Em um mundo onde ter o que mostrar, ainda que seja um tosco pedaço de papel no caso é importante, eu teria. Não ter tido uma educação forma foi um erro calamitoso, embora não me troque por ninguém que a tenha exclusivamente como é o caso da grande maioria das pessoas.
Certamente eu não teria sido tão cuzão com tantas meninas e mulheres como eu fui. É, tantas. Um completo babaca, principalmente porque as que tiveram o melhor de mim sabem quem eu de fato era. Quando olho em perspectiva para este particular da minha vida, me enbergonho. Uma pena, pois tantas garotas legais passaram por mim e eu mais preocupado em como foder (tanto no literal como no sentido figurado a vida delas). Fui bem escrto, essa é a real.
Eu aprenderia um instrumento, se o tempo voltasse. Especificamente, um Contrabaixo. Gosto da pulsação, da forma como ele dita o ritmo, traz sensações que as pessoas muitas vezes nem percebem que são causadas por ele em uma música. Eu aprenderia e me especializaria, seria um ótimo, excelente contrabaixista. Teoricamente ainda da tempo. Mas sei lá...
Obviamente eu teria tido Rafaela. Isso é inquestionável. Mas teria me relacionado de forma diferente com ela, melhorada. Não me culpo da forma como me relacionei no passado e me orgulho da forma como nos relacionamos hoje. Eu fui aprendendo a ser pai. Não tive um exemplo para me espelhar. Logo, errei demais e hoje tento acertar mais que errar e creio que tenho conseguido.
Teria me afundado na palavra de Deus. Não teria tido com ele um (não) relacionamento interesseito e vil como o que tive. Ok, isso também dá para mudar, mas aos 48 anos me sinto tão impregnado de um mundo que não era meu e sei lá porque se tornou que fica díficil. Mas a vida vai seguindo.
Mas de tudo, de tudo mesmo há algo que eu jamais faria se o tempo voltasse. Não teria me tornado corretor de imóveis! De forma alguma, em nenhuma circunstância e por mais que isso possa parecer chocante para quem me conhece minimamente e sabe o quanto eu gosto da corretagem. Alias, eu amo a corretagem, meu trabalho, minha diversão, meu vício, meu tudo.
A corretagem e as pessoas que conheci no meio, acabaram com minha personalidade dócil, meiga. Trituram todo e qualquer sinal de emoção que existia em minha vida. Me tornei um pragmático, uma pessoa interessada apenas no que me diz respeito. A pessoa que eu era até antes da corretagem se envergonha da pessoa que eu sou agora, tenho certeza disso.
Ser corretor é minha delicia, mas sobretudo minha dor. Me afastou de crenças fundamentais da minha vida e me fez acreditar em coisas que de forma alguma eu acreditaria antes. Um paradoxo que não sei lidar. A vida da gente se torna o que fazemos delas e entre erros e acertos eu mudaria muitas coisas na minha se o tempo voltasse. Ele nao vai voltar, isso é evidente, então só me resta contar uma nova historia de hoje em diante e é o que eu tento fazer.
Em breve serei avô e talvez resida ai a minha grande oportunidade de sendo alguém que acumulou minhas e minhas de experiência ser melhor pessoa e guiar a pessoa que vem rumo ao caminho do bem. Vamos ver, que Deus me ajude!
É isso.
Ouvindo: Heritage Singers
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