Jim Carrey Is The Walrus


Eu ia falar de Bolsonaro e sua arregada monstro na rádio/tv Jovem Pan. Mas Bolsonaro arregar não é mais noticia e nem merece minhas mal traçadas linhas. Jovem Pan se ferrar por conta do Bolsonaro e a tentativa da rádio/tv de defender o indefensável também não é novidade. Bolsonaro que vá a merda, vou falar de Jim Carrey.


I Am The Walrus é talvez minha música favorita dos besouros. Gosto  de Something também e tantas outras, mas Walrus com sua letra aparentemente nad aa ver e seu arranjo debochado, pouco se fodendo pra quem esta ouvindo e fazendo claramente a banda curtir seu som, da forma que tem que ser (odeio artista que tem medo do público e faz tudo pensando nele), me conquistam e me faz curtis como tenho certeza que eles curtiram.

Vários artistas regravaram ou fizeram covers em seus shows ao vivo de Walrus sendo que o melhor que tinha visto até aqui foi quando o Oasis resolveu colocar a colher e interpretar. Acontece que sempre tem um ar de urgência tanto no arranjo que se torna mais elaborado no caso do Oasis, como se tentassem colocá-lo (o arranjo) "na linha" e o vocal é sempre respeitoso, quase que uma deferência, o que tira o ar de graça e obviamente toda a chance de diversão da música.

Dai, pronto para ir embora após mais um dia de trabalho, me deparo com este arranjo interpretado por Jim Carrey.  Caralho!!!! Ele é o Egg Man, ele é o Walrus! De forma absolutamente despretensiosa, divertida, sem querer ser reverente aos besouros, Carrey vai um passo além do que os Beatles foram e torna a interpretação a carreta desgovernada que ela deveria ser. O arranjo instrumental é o que deveria ser, praticamente uma cópia do original com uma sessão de cordas linda, fabulosa que colapsa para o bem (se é que algo pode colapsar para o bem) assim que Carrey abre a boca. Se Vagner Moura, o Capitão Nascimento destriui as músicas da (Re)Legião Urbana anos atrás com a permissão insana de Dado e Renato, Carrey foi por outro caminho, levando a interpretação de Lennon a outro patamar, que ele (Lennon) certamente apalaudiria de pé!

Não por acaso Carrey é a força motriz por trás de um dos meus filmes favoridos da vida: Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças e sobretudo da completmente desconhecida e desprezada no Brasil  série "Kidding" Kidding, com seu humor ferino, quase depressivo é uma das melhores séries já produzidas e a interpretação de Carrey é de chorar de tão linda, de aplaudir de pé, de ganhar todos os prêmios possíveis e imagináveis.  Se você nunca ouviu falar de Kidding, eu te perdoo, provavelmente é inteligente demais para você, que certamente prefere Velozes e Furiosos ou coisa que o valha.

Eu ia falar de Bolsonaro, ele não merece minhas mal traçadas linhas. Falei de Jim Carrey, mesmo sem ter estofo para falar deste tão grande artista. Sou metido a besta. Pronto, falei.

É isso.

Ouvindo: Jim Carrey


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