Round 6 (Um Canto a Jo e Ali)

 

Tem Spoiler, se não quiser saber, não leia.

Round 6 é uma série perturbadora, para dizer o minimo. Apesar de ter um roteiro que é realmente instigante é pobre em atuações e tem uma direção frouxa. Sua premissa é fascinante pois mistura a velha disputa de classes onde os muito ricos dominam e os muito pobres ou desafortunados em geral obedeceme além de obedecer se sujeitam ao que quer que seja para minorar suas mazelas quase sempre causadas pela falta de grana.

A série brinca (de forma nada engraçada) com o terrível paradoxo em que pessoas de bom coração se veem obrigadas a tomar atitudes reprováveis e extreammente amorais seja pelo instinto de sobrvivência puro e simples, seja pela ganância desenfreada, essas pessoas precisam tomar decisões em que fatalmente prejudicarão outras pessoas em beneficio próprio e a cada decisão tomada, mais elas se embrutecem ao ponto em que a vida do outro em nada mais lhe interessa e que quanto mais pessoas morrerem, melhor.

Ao meu ver, um  dos pontos negativos da série é tentar abarcar alegorias demais. São tantos os pontos a se considerar que a probabilidade de quem assiste se perder no labirinto de assuntos é muito grande. Round6 poderia ser mais enxuta no roteiro, mais direta, sem tantas subtramas a serem exploradas. Porém a série tem suas virtudes seja nos raros alívios cômicos que oferece, seja na graça das interpretações femininas pois as atrizes são infinitamente melhores que os atores e suas personagens muito mais bem construídas que os dos meninos.

Talvez não seja nem o caso de serem melhores construídos os personagens femininos e sim o fato de que as mulheres reagem de forma diferente, completamente diferente a dos homens quando submetidas a pressão. De qualquer forma,  elas brilham muito mais que os personagens masculinos, isso é fato. A mãe do protagonista, a mãe do coadjuvante par ficar em dois exemplos, mostram com atuações economicas e emocionantes que mãe é mãe seja aqui, seja na Coréia do Sul.

A série tem um episódio memorável, o número 6. Neste episódio, quando quem assistiu os anteriores já estã perdendo a fé na humanidade influenciado pelo comportamento absurdo e tresloucado de todos ali, sugem dois personagens que já vinham se mostrando aos poucos, mas que atingem a grandeza daqueles personagens que ficarão na memória dos que gostam de boas histórias. O Paquistanes Ali e  a graciosa Jo.

Ali é a personificação da inocência. Servil ao extremo e acredita em tudo o que lhe dizem. Tem um olhar doce e modos igualmente meigos, sendo aquele tipo de pessoa que queremos ter como amigos imediatamente. Jo é desconfiada, solitária e com uma história de vida marcada pelo abuso de um pai mau caráter que assassinou sua mãe e foi morto pela própria Jo.

No episódio 6 em questão Ali ostra que a inocência não morreu ao ter vencido um jogo e se deixar manipular de forma comovente por alguém que acreditava ser seu amigo. Sempre digo que ninguém manipula ninguém seo o consentimento do outro e creio que Ali, por sua personalidade dócil e seu coração generoso tinha consciência que estava entrando em uma roubada quando aceitou um "acordo" para um plano que salvaria a vida dele e de seu suposto amigo embora as regras do jogo fossem absultamente transparentes e ali apenas um dos dois sairia vivo. Ali, bom Paquistanes ensina que a confiança deve ser exercida ainda que sob o risco de traição pois quem confia não é culpado é vitíma daquele que o trai.

Jo por seu turno conscientemente se entrega a morte pois considera que sua amiga a também excelente jogadora 067 tem mais a viver caso conquiste o prêmio que ela mesma teria. Um sacrifício honesto e tocante que emociona a qualquer coração por mais duro que seja e mostra que o autruísmo não morreu e talvez jamais morra por completo ainda que agonize em nossa sociedade a olhos vistos. Mais do que um alívio moral a uma série calcada na amoralidade os dois personagens nos mostram que ainda existe esperança, por minima que seja  de que a bondade possa talvez continuar viva entre nós.

Em uma série onde tudo é morte e sofrimento, Ali e Jo mostram ainda que eles próprios sejam ceifados pela espiral de morte e loucura que se meteram que manter os seus princípios e agir conforme sua consciência não apenas pelos ditames circunstânciais ainda é possível e mais que possível,. desejável. 

Round 6, ao menos para mim, acaba ali, naquele episódio. O que vem depois (mais 3 episódios) é apenas uma tentativa de finalizar o que foi começado de forma digna. Sim, o final da série é crível, tem um gatilho evidente para uma nova temporada, mas dificilmente um episódio como o 6 será escrito. Ao final da maratona, o que fica em minha mente é a beleza dos personagens Ali e Jo, que em sua ingenuidade e bondade banhados em firmes princípios morais brilharam mais que qualquer outro personagem incluindo o protagonista que não obstante conseguir uma crescente durante os episódios não chega a empolgar, não a mim ao menos.

Por muito tempo me lembrarei de Ali e Jo e dessa série que embora seja perturbadora (e isso para mim é bom) por seus pequenos pecados e deslizes não foi tudo que poderia ser. Carece de um diretor, um diretor de fotografia e alguns ajustes pequenos no roteiro caso haja uma nova temporada. Se merece ser a série mais vista da Netflix até aqui? Nem de longe!

Para finalizar é importante frisar que o ódio pela China é realmente compartilhado por todo o globo. A série é Coreana, portanto não tem nada a ver com a China, mas os receptadores dos orgãos que são retirados dos cadáveres que servem para tê-los extirpados são de qual nacionalidade? Ganha um doce quem disser que são Chineses. Sim, a série tem uma parte meio que rocambolesca em que orgãos são retirados para serem traficados no mercado negro, uma bobagem de dar dó. Nem tudo é perfeito, afinal de contas...

É isso

Ouvindo: Chris Rice



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