Escrevo Porque Sim

 

Porque mesmo não sabendo escrever, mesmo tendo uma falta absurda tanto de métrica quanto de ideias escrever é basicamente o que me mantem vivo. Minha escrita é pueril embora se pretenda inteligente e atraente para quem lê. Não é. Ja escrevi textos que tive vontade de quebrar o notebook logo após ficarem prontos. Eu nunca releio o que escrevo porque vou ter vergonha de mim. As vezes, raramente, tão raro que me sobram dedos em uma mão para contar, eu escrevi algo que me orgulho. Ha anos tento escrever um livro. Nunca sairá.

Porém sigo escrevendo pois é como se eu limpasse toda a sujeira de dentro sabe? Como se ao sentar aqui na frente deste notebook o Sol raiasse e fosse entrando nos cantos escuros de uma casa escura que fica dentro de mim e guarda meu coração e alma. Uma casa sem janelas, apenas uma porta que eu tenho que abrir para eles respirarem e ao escrever o Sol vai invadindo e juro para vocês, sinto o fluxo sanguínio mais forte quando estou aqui escrevendo essdas patacoadas todas.

Por mais que eu leia, jamais conseguirei chegar ao padrão que entendo como minimo para um escrito valer a pena e me surpreendo quando vou checar a quantidade de pessoas que leram o meu blog e sempre esta em 3 digitos em média por postagem. Por mais que seja pouco eu acho um abusurdo para a qualidade que entrego. Mas continuo tentando, continuo na aventura de buscar conexão entre as palavras, fazer com que elas façam algum sentido para mim e para quem lê, que elas se interconectem a ponto de criar um texto, não um arremedo frouxo como sempre acabo entregando.

Quando leio, seja C.S Lewis, seja Bram Stoker, procuro me atentar a forma que da vida ao conteúdo. Se por um lado Virgínia Woolf nnunca tenha feito a menor questão de ser simples em sua escrita ao passo que Jane Austen era quase didática, existem em ambos os estilos a mesma similaridade em meio a tantos opostos: Ambos te prendem!  Seja a experimentação de O Quarto De Jacob de Wolf, seja o quase novelão Orgulho e Preconceito de leitura fácil e fluída de Austen, quem começa a ler se sente preso pela beleza da literatura.

A escrita tem que ser bela. Não importa o que se escreva, qual o caminho literário escolhido ela tem que ser bela. Uma boa leitura faz seu batimento cardiaco se elevar, faz sua imaginação disparar rumo ao desconhecido, traz intimidade entre quem escreve e quem lê. Conexões, é disso que se trata. Quando li Gaveta Dos Guardados pela primeira vez, me senti em extase com os textos de Ibere Camargo e minha vida foi em parte miserável até que conseguisse comprar o livro e tê-lo para mim, pois tinha lido pela primeira vez na Livraria Cultura e não tinha no dia $$ para compra-lo. A primeira coisa que fiz quando caiu um qualquer foi correr para compra-lo e descobrir que tinha acabado e não tinha previsão de reposição. O livro me arrebatara, me tocara de forma definitiva com suas imagens e textos tão excepcionais. Quando o reencontrei totalmente por acaso em um plantão de vendas, ornamentando um apto decorado quase deixei o cliente de lado.

Escritos, sejam simples ou sofisticados tem que ter exatamente esse efeito. Cartas a Uma Senhora Americana de C.S Lewis é o seu livro mais simples porém sempre o releio e releio e releio porque a conexão que criei com aquelas cartas trocadas foi total. Penso nisso tudo e volto para o meu blog e o que entrego? Textos sem graça alguma repletos de erros de português, sem sentimento, sem pulsação. Uma lástima.

Com tudo isso, por que afinal eu escrevo? Escrevo porque sim.

É isso.

Ouvindo: Chico Buarque


Comentários

Postagens mais visitadas