Juliette e Jojo Todinho Tentando Me Vender O Que Quer Que Seja Na Black Friday
Não lembro de ter comprado nada no site da Americanas.com durante a minha vida. Talvez compre um dia, talvez não. Tanto faz. Para mim é irrelevante onde comprar algo desde que eu possa comprar o que preciso/quero. Quando tenho fome, acho um restaurante e como, simples assim. Nãso preciso ir ao lugar mais badalado apenas para dizer que fui. Se preciso de uma camiseta, compro usando critérios de qualidade x preço, jamais por conta da etiqueta que esta na parte de dentro da mesma.
Se vou jogar futebol a bola basta estar calibrada, não precisa ser a bola da Champions League e se chuteira não me fizer bolhas ou machucar meu calcanhar ao final do jogo, ta valendo. Não sei se as toalhas da minha casa tem alguma coisa especial, mas me secam perfeitamente. O mundo esta cada vez mais louco. Não deveríamos comprar nada por conta do local de venda ou induzidos pelo apelo de alguém. Ok, a muito a economia funciona assim, pessoas "da moda" no dizer o que comer, beber, vestir, consumir enfim. Mas as expectativas baixaram demais.
Eu jamais seria diretor de MKT de qualquer grande rede dessas que estimulam o consumo de incautos. Jamais teria Jojo Todinho como garota propaganda. Não por sua aparência, mas por sua absoluta ignorância e pelo prazer que sente em ser como é. Uma pessoa fútil, sem qualquer traço de cultura aparente (e duvido que escondida ela leia Paulo Coelho que seja). Jojo gosta de dar declarações que aos incautos parecem polemicas mas são vazias e calculadas para causar "furor" entre os que como ela levantam a bandeira da imbecilidade como estilo de vida.
Juliette, que tem como cartão de visitas única e exclusivamente ter ganho o BBB sei lá que número, mostrando durante o programa ser uma pessoa confusa, obstusa muitas vezes e mesmo paspalhona em outras oportunidades também esta massivamente tentando vender o que quer que seja, sem critério algum. Muitos devem comprar afinal de contas ela aparece cada vez mais. Vale o mesmo para o seu amigo de programa, Gil do Vigor (do vigor?) que por ter formação em Economia se sente no direito de dizer que gostaria de ser titular da pasta homonima em nosso governo federal. Piada? Claro! Só que muitos e muitos levam a sério.
Nada contra quem se diverte com esses tipos, afinal, eu mesmo assisti pela primeira vez em minha o último BBB e embora na maior parte do tempo eu tenha apenas sentido vergonha alheia dos ratinhos falantes de laboratorio que ali estavam a meu dispor 24 horas (sim, Graziela assinou o paperview) em alguns momentos me diverti as pampas com os absurdos que falavam um para o outro e as estratégias absurdas e quase sempre pueris para ter o "poder" na casa. O que me espantou foi ver pessoas levando a sério tantos os absurdos falados quanto as tais estratégias, atribuindo valor a pessoas que podem até ter valores muitos superiores aos meus próprios em suas vidas mas ali se comportavam como bobalhões rematados.
O mesmo espanto me pega na questão do tal site Americanas.com. Meu Deus, o que agregram para os produtos anunciados no famigerado e-commerce ter duas popstar da ignorância anunciando-os? Ok, não imagino que o site precisaria ter como garoto propaganda professores universitário ou por exemplo, Chico Buarque. Nada disso. Mas é preciso rebaixar tanto as expectativas? E isso é um problema que esta totalmente introjetado em nossa sociedade. Se não, vejamos: Mesmo antes de sua morte (agora nem se fala), Marilia mendonça, a compositora de um tema só era tratada como a libertadora das mulheres oprimidas de nosso país. A melhor cantora, a compositora que tinha a "leitura" da alma feminina como nenhuma outra. Mentira! Maria Rita, Marina, Marisa Monte, recém falecida Vanusa, a falecida a mais tempo Elis Regina e outras menos cotadas são cantoras infinitamente melhores que Marília jamais seria. Jamais!
A questão é que enquanto Maria Rita canta sambas com letras geniais, Vanusa cantava das dores de amor sob outro ponto de vista e com uma voz singular, Marisa Monte simplesmente nem tem como buscar comparação possível com Marilia, Elis tinha aquela voz sobrenatural, Marilia cantava versos fáceis tanto de escrever quanto de se acomodar em arranjos musicais que por seu turno eram fáceis de serem lembrados por quem os ouvia, de forma a "grudar" na cabeça de ouvintes desavisados.
Não é nem de longe uma questão de ser esnobe, afinal de contas alguém que nem terminou a quarta série do ensino fundamental não pode ser esnobe mas uma questão de esperar que talvez pudessemos ser regidos por padrões que nos tocassem mais, nos forçassem a pensar, a questionar e não somente aceitar o que nos é mostrado. é ilusão achar que comerciais de TV devam ser propositivos quando querem apenas vender o máximo de produtos no menor tempo possível? É! Mas precisam ter um nível tão baixo? Precisam ser estrelados por pessoas absolutamente vazias que tem apenas suas próprias imagens e o que a audiência pensa e faz com essa imagem que é entregue para convencer essa audiência?
Da mesma forma que não consumo músicas no estilo Marilia Mendonça e não falo isso com orgulho apenas não gosto e pronto, me recuso a comprar o que quer que seja anunciado por pessoas tão sem conteúdo, tão sem brilho. O ideal é que não fossemos regidos por padrão algum, que pudessemos por conta própria acreditar em nossas verdades, construídas por nossas vivências e observações mas a banda não toca assim e jamais tocará. Lembro de ter levado Rafaela a Livraria Cultura quando ela tinha 11 ou 12 anos e dizer que ali era um dos meus lugares favoritos em SP. Dei de presente para ela um CD dos Los Hermanos banda que amo. Hoje, Rafaela ama Los Hermanos e me ensinou a gostar de artistas de sua geração com um conteúdo imenso como por exemplo, Esteban. De novo, cada um gosta do que quer e compra o que quiser mandado por quem quer que seja, mas eu sonho (sabendo que jamais vai acontecer), com uma sociedade onde a cultura, o conhecimento o livre pensar enfim, não seja visto como esquisitice, mas como norma. Vai acontecer? Não! Me resta me refugiar em mim mesmo.
É isso.
Ouvindo: Nina Simone
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