Sobre Tragédias (Falo Do Rapaz Atropelado e Morto No Viaduto Do Gasometro e Também é Claro, De Marilia Mendonça)
Os likes e views de Marilia se contam na casa dos bilhões (sim, eu escrevi bilhões). Suas músicas, são catandas de cor por milhões e milhões de pessoas. Seu velório foi acompanhado por milhares e milhares de pessoas, sua imagem já tão onipresente nos lares do Brasil se tornou quase que única, obrigatória, uma imposição mais que aceita no final de semana dos lares desta porção da América do Sul e em várias partes do mundo.
Sua morte foi matéria do The New York Times e em tantos outros jornais importantes ao redor do globo. Se toda essa comoção e todo esse frenesi são justificáveis, não cabe a mim dizer, mas me parece que sim, uma vez que um país se pôs a chorar compulsivamente por sua cantora. O choro, o drama, que eu encontro paralelo apenas na morte de Ayrton Senna ainda vai reverberar por muito, muito tempo, uma vez que a imagem de Marilia e sobretudo suas canções andam nos celulares de tantos e tantos fãs que inconformados buscam refúgio para sua dor nas canções ali armazenadas.
O que importa se Marilia era boa cantora, se suas músicas tinham qualidade que justificasse o frisson que ela agora causa? Marilia se foi e com ela se foi a mãe, a filha, a amiga, a mulher. A cantora/compositora era apenas mais um faceta de tantas. A loucura em torno da morte de Senna passou a mesma coisa acontecerá com a sua morte, pois a vida prossegue para os que aqui ficam e outras demandam tomam as nossas prioridades. Marilia era figura pública e amada e também era na privacidade de sua família um ente querido e amado que seu foi. Para eles, a dor nunca cessará. O pranto, irá embora depois de um tempo apenas para retornar a mais simples lembrança.
O rapaz atropelado cujo conhecimento eu só tomei porque parei para tomar café na padaria hoje cedo e a tv falava sobre ele, cujo nome eu não sei, cujo a idade eu não sei, cujo os likes caso tivesse redes (anti)sociais deveriam se contar nas dezenas (se tanto), morreu de forma absolutamente estúpida. Além de atropelado foi jogado para fora do viaduto estatelando-se metros abaixo porque exatamente por onde ele passava no momento do atroplelamento a guarita que deveria existir em todo e qualquer viaduto não estava ali, era nada mais que um vão por onde ele caiu e morreu.
Não haverá um Domingo do Huck em seu tributo. Não haverá comoção em seu velório caso alguém reclame o corpo e resolva que um velório seja feito. Ele não compôs canções que libertaram as mulheres do julgo machista ou tornaram os homens mais palatáveis de se lidar. Nada. Era, como diria Belchior no máximo "como aquela gente honesta boa e comovida, que caminha para a morte tentando vencer na vida." Desses, representados por este rapaz que nem o nome eu sei, nada se diz, nada se espera que se diga além de que atrapalhoiu o transito com sua morte.
A vida é menos justa com Marilia do que este rapaz? Ele merecia mais a morte que ela? Evidente que não! Nenhum dos dois merecia. Mas no final das contas o que fica é sem dúvida o reconhecimento que se tem dos outros. Pranteamos Marilia porque ela foi capaz de mexer com nossas emoções por todo o tempo que esteve no topo e nos irritamos com o rapaz a atrapalhar o trânsito porque nem sabemos seu nome. Mas seus pais, esposa, filhos, seja quem for que o conheça, sabem. E sofrem. E a vida, no final das contas é feita disso mesmo, pequenas alegrias e grandes sofrimentos.
O que tento dizer é que buscar motivos para explicar a morte de Marilia, uma fatalidade trágica que pode acometer a todos os que voam sejam em Cesnas, King Air ou Boeings passando pelos Macdonell Douglas e Aurbus até aos que simplesmente atravessam a pé viadutos do lado deteriorado do centro de São Paulo. Posso bater meu carro ao ir embora, ser fechado por ourto motorista, fechar outro motorista. Posso dormir ao volante e além de morrer causar a morte de alguém e Deus, nada tem a ver com isso porque tanto ele não me pede para dirigir com sono como não é o empresário de Marilia ou quem quer que seja que controlava a sua agenda e nem pode descer do céu em sua glória e pedir para o rapaz que não sei o nome não atravessar de forma imprudente um viaduto super movimentado e sem proteção na faixa de rolamento em plena manhã de segunda feira.
Existeo princípio do livre arbítrio e todo Cristão deveria lembrar-se dele ao se perguntar porque tragédias acontecem. Ora, se Marilia entrou no avião por sua vontade, e aviões caem, sobrevoam aerodromos que tem linhas de transmissão mal sinalizadas ao seu redor, nada tem Deus a ver com o peixe. Marilia deveria, (mas jamais faria assim como eu também não se fosse famoso) pedir um plano de voo detalhado com rotas e cartas aéreas detalhadas e talves tivesse dito: Epa! não vou entrar nesse avião ai não, ou vamos descer em outro lugar meu amigo, esse aerodromo ai não... Ninguém faria isso e é por este motivo entre tantos outros que fatalidades acontessem.
Tentar lincar o fato de que a Biblia diz que não cai uma folha sem a permissão de Deus ao fato de que ele poderia ter evitado este acidente e o do namo que eu não sei o nome que foi atropelado é tão pueril como desonesto intelectualmente. Porque então Ele teria que evitar que bebês viessem ao mundo com má formação congênita, que mães morressem de cancêr deixando seus filhos solitários, que bebados dirigissem, enfim, fumantes teriam carta branca para fumar como Gambás e não terem problemas respiratórios, entre tantas outras coisas. Afinal se ele tem a obrigação de salvar Marilia Mendonça deste trágico acidente, moralmente teria a obrigação de não deixar o mano que nem eu e nem quem viu a matéria hoje cedo sabe o nome morrer também afinal teria Deus preferidos?
Fatalidade, é disso que se trata. Irritantemente ontem Luciano Huck mencinou umas 387x seu próp´rio infortúnio ocorrido a anos atrás em um pouso forçado. Ele esqueceu (?) de mencionar que foi um pouso forçado calculado pelo seu piloto e não uma queda repentina, só isso. Por minutos pensei que ele tivesse alguma moral extra com o Todo Poderoso. Assim como achei uma certa sertaneja, (de verdade não lembro o nome da pobre) deve estar viva até hoje porque voa "ao som de louvores" segundo ela mesma, o que de certo deve produzir uma dose extra de proteção. Quando ouvi isso, fiquei pensando em Dottie Rambo uma das compositoras mais importantes da música Cristã mundial autora de standarts do Gospel mundial (Gospel no sentido musical pleno, não essa nojeira que os evangélicos brasileiros, esses safados enchem a boca pra falar que cultuam)e sabem como morreu Dottie? Em seu ônibus, em turnê pelos EUA, em um trágico acidente. Agora o que será que rolava no busão da Dottie? Sepultura? Rituais de vudu? (como diria o pica pau vudu é pra jacú e ela não era um). Basta ouvir We Shell Be Hold Him, uma das composições mais lindas e piungentes de Dottie para perceber que não tem louvor que a tal sertaneja cante que vai coloca-la em posição de favorita de Deus porque fica ouvindo musiquinhas mequetrefes durante o voo. Apenas a fatalidade nunca se arepsentou a ela e ainda bem, glorias a Deus por sua vida!
Este final de semana, foi horrível. Duas tragédias inominaveis. Marilia morreu, e o mano que ninguem sabe o nome também morreu. A bos vítimas de fatalidades lamentáveis. Assim como a que se abateu sob Ayrton Senna e Dottie Rambo. A vida e cheia de fatalidades, a vida é cheia de morte porque a única certeza que temos é que morreremos. Devemos celebrar a vida enquanto a podemos entender que os que se foram, também viveram, muito ou pouco, não sabemos mas viveram a sua medida de vida. Deus não se compraz com a morte de seus filhos pois não os criou para isso e falo isso de uma perspectiva Cristã e lembrando que para os ateus a fatalidade talbvez seja mais palatável uma vez que não existe um ser superior a norteá-los.
Deus, eu creio em ti, quase não crendo, mas precisando desesperadamente crer, para entender porque Marilia e o mano que não sei o nome morrerram e para entender porque minha mãe se foi, porque minha irmã se foi tão nova e tão inocente vitíma de uma doença que me acometeu e me poupou para logo depois levar aquele serzinho tão inocente. Creio em ti para tentar entender porque adultos imbecis embebedaram meu caozinho Nero, um filhote, até que ele morresse alcoolizado bem em frente aos meus olhos. Ele também era sua criação. Nunca mais me apeguei a animal algum. A morte é um mistério, o maior em nossas vidas e também nossa maior certeza. Console por favor a familia de Marilia e a do mano que não sei o nome. Ambas precisam de teu suporte e amor. E por fim, esclareça mentes e corações que clamam por respostas que a vida não apresenta em sua totalidade. Eu creio em ti. quase não crendo, mas precisando desesperadamente crer!
É isso.
Ouvindo; Maria Callas/ Dottie Rambo/ Comissioned
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