Eu Não Tenho/ Tenho Vida


A crueza da música de Nina Simone e a sem cerimonia com que ela a interpreta, apenas deixando as palavras jorrarem de sua alma, dizendo que não tem classe por exemplo com uma classe tão evidente, dedilhando o piano de uma forma que parece desinteressada mas é pura magia, essa crueza disfarça uma força absurda que torna um lamento em manifesto. E fala muito mais sobre o que ela e pessoas como ela que sente tudo de forma mais intensa tem dentro de si.

Nina Simone não veio definitivamente a passeio por estas bandas do planeta Terra. Sua viz, sua postura, sua coragem são inspiração a todos aqueles que não se conformam com o mais do mesmo, com a vida vivida sem emoção, sem verdade. O lado crú de sua interpretação esta ligado exatamente a verdade contida nela. Não existe edulcoração possível para quem vê o mundo como ele realmente é. Ser chamado de "embaixador", "patroa" ou qualquer outro título que contenha uma auto afirmação tacanha em si é prova de que não existe a menor noção de qual o papel do artista naquele que assim se denomina. Chamar seu público de "coleguinhas" pra ficar nesses brasileiros(as) tacanhos que assim o fazem mostra uma total desconexão entre o que é ser um artista de verdade e como se portar perante seu público.

A inquietude que existe em músicas como Eu Não Tenho Nada/Tenho Vida,  deveria abalar a toda audiência que toma contato com este tipo de canção. Profunda, amarga mas tabém cheia de uma insuspeita esperança, é Eu Não Tenho... celebra ao mesmo tempo a negação de bens materiais e de amizades duvidosas em detrimento de um profundo autoconhecimento que todos deveríamos ter e das oportuniddes que este autoconhecimento pode trazer. A inquietude alias deveria reger o munto mas somos cada vez mais conformados esperando o fim chegar. A humanidade aceita o que lhe é imposto com tremenda facilidade, esquecendo-se  que foi ela, a inquietude que nos trouxe até aqui.

Olhar para o alto e ver a Lua, as estrelas e querer saber e sobretudo entender o que se tem ali, não aceitar morrer de infecções quew antibióticos poderiam curar, compor obras de arte sejam músicais sejam belos livros, tudo isso acontece por que a inquietude nos move, porque pessoas extremamente inquietas e talentosas dizem não para o que já está estabelecido e buscam inovações.

Os unquietos normalmente não tem nada além de tudo o que tem que é a sua autoconfiança e uma vontade enorme de fazer acontecer. Os que tem tudo, normalmente tem a custa de outras pessoas, a custa de manipular e fazer com que sejam melhores vistos e aceitos ainda que nada tenham a oferecer.



Eu não tenho nada, mas tenho minha vida e a mim, parece o suficiente.

É isso.

Ouvindo: Nina Simone


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